Bota Brasil
Ontem enquanto dirigia para a Ilha levando a Anna para votar (já que eu não voto) não pude deixar de ficar incomodado com a quantidade de boca-de-urna. Faixas, panfletos, camisetas, bandeiras… Muitas bandeiras.
Só conseguia pensar no slogan de campanha “se ele já infringe a lei no dia da eleição imagine o que ele não vai fazer quando eleito!”. Hoje, inclusive, descobri que um dos candidatos mais votados para vereador era o que mais tinha boca-de-urna de Botafogo à Ilha.
Chego na casa dos meus pais e ao conferir a votação dos candidatos a prefeito me espanto: César Maia, Crivella e Jandira votaram com camisetas ou bonés de campanha. (com os dois primeiros eram membros da família vestindo a propaganda, mas a candidata do PCdoB vestia ela mesmo a camiseta) Pelo visto errei eu quando achei que esse tipo de prática era ilegal. Ou será que só quem já foi rainha do rebolado vai em cana?
Desde as eleições de 98 (se eu não me engane) é permitido camisetas, bottons, adesivos e bonés na hora de votar, desde que se limite ao vestuário. Bandeiras, apitos e manifestações na fila e na hora de votar continuam proibidas.
Palavras de quem trabalha em eleições desde 96…
Cris, sou presidente de seção eleitoral (bela merda), e recebi um manual com o tal do “pode, não pode” durante as eleições. Lá diz que é permitida qualquer manifestação “individual e silenciosa”, “inclusive a contida no próprio vestuário e em objeto de que tenha posse, como bandeira e flâmula”.
Mesmo os delegados e fiscais de partidos podem ir com camiseta, “vedada qualquer inscrição que caracterize pedido de voto”.
(da pra baixar o manual do site do TSE)
Como regra prática, é proibido: distribuir santinho, abordar eleitor, fazer barulho e ostentar bandeiras.
O eleitor pode sim votar com camiseta de seu candidato, é entrar na fila, votar e sair fora.
Caracteriza-se boca de urna, quando esse eleitor vota, e fica parado perto da fila.
Ele tem que votar e ir embora.
Olha Cris, o próprio procurador eleitoral aqui em Belém deu uma entrevista dizendo que a Justiça Eleitoral não pode ser totalmente intolerante com a boca de urna, que é uma manifestação já integrada à cultura nacional.
O que ele falou é que pode boca de urna até cem metros do local de votação (o que é uma distância bem pequena, realmente). O que não pode é fazer um “corredor polonês” para o eleitor se sentir “sufocado”, “cercado” pelos partidários de um candidato.
E o pior é que isso aconteceu na seção onde eu fui mesário. Ficou tocando uma música altíssima o dia todo, e só se interrompeu quando o atual prefeito chegou lá (gritarias em uníssoro dos partidários da oposição, claro), e o juiz eleitoral mandou parar. Quinze minutos depois deles irem embora, tudo recomeçou. Ê Brasil…
Absurdo o número de boca de urna neste ano… como já foi escrito aqui, votar com camisa, boné, calça e qualquer outra vestimenta é permitido.
Abração