Brasil o país da vela? (ou: momento Lya Luft)
Estou aqui o dia todo tentando rabiscar alguma coisa sobre a vitória do Robert Scheidt. Dizer que a única coisa que eu consigo pensar quando vejo que o cara já ganhou três medalhas olímpicas, todos os campeonatos mundiais desse ano e tem a minha idade é
“E eu aqui descascando batata no porão.”
Aí vem a história da Daiane e seu quinto lugar com um monte de gente caindo de pau (resistindo à tentação de dizer “todo mundo caindo de pau”).
Colega… ela errou feio e é a quinta melhor ginasta do mundo. E você? Não… na boa, o que você é? Não vale dizer que não teve chance, que não nasceu Scheidt, que está mais para Dos Santos. Você tem a vida que tem por livre escolha sua. Dizer que fulano não ajudou, que não teve berço, que não teve escola, que ganhou a Barbie Malibu quando queria era a Barbie Bailarina é tirar o seu da reta e continuar na reta de deixar tudo como está. Você está aqui porque, de uma maneira ou de outra, escolheu estar aqui. Isso, claro, também vale para mim, daí a “revolta” original do texto.
Uns escolhem ser medalhista. Outros escolhem meter o malho no Brasileirinho dos outros.
Foi o que comentei com um amigo, pra mim a Daiane não conseguiu suportar o pesado fardo que a mídia brasileira atribuiu a ela…
Quanto ao Scheidt, ele merece!
Abraços
A Daiane é a tragédia anunciada. Primeiro há um movimento messiânico aguardando a vitória, depois a catarse coletiva com a derrota.
Mas não concordo quanto a ser questão de escolha. Esporte não é para qualquer um. Quem nasceu para Maurinho nunca chega a Ronaldinho.
Uns escolhem ser medalhista. Outros escolhem meter o malho no Brasileirinho dos outros.
Em termos.
Nem tudo é questão da própria escolha.
Ademais, adorei ver a romena.
Mas isso é uma outra hstória.
Pois é, nem tudo é questão de escolha, querer não é poder e eu não acredito no american dream.
A vida não é para qualquer um.
Cris,
Eu, como MELHOR DO MUNDO na categoria até 100kg da modalidade de bebedor-de-cerveja-pilsen-gelada-com-um-pouco-de-cerveja-preta-num-copo-americano-de-uma-só-vez-sem-espirrar-pelo-nariz, tenho autoridade suficiente pra dizer que a Daiane pagou um mico.
…
E a mídia ADORA esse tipo de acontecimento: a construção de um mito pra depois cobrir a tragédia. Vai render mais “Globos Reporter” do que se a brasileirinha tivesse ganhado o ouro.
…
Isso tudo ter ocorrido na Grécia deu ares de teatro à coisa.
…
Falou pouco mas falou “bunito”
Cris,
Não acho que escolha seja tudo, oportunidade também conta bastante.
Mas o mais engraçado é que todos comentam sobre a “derrota” da baixinha, mas se esquecem que, em um país que não dá a mínima para o esporte (futebol é um caso à parte), chegar numa final olímpica já é uma vitória.
No Brasil, a grande maioria dos atletas não têm incentivo e, muitas vezes, nem patrocínio. Enquanto que em outros países, o incentivo ao esporte é enorme.
As pessoas esquecem que errar é humano. Não interessa se a mídia pôs um fardo que a Daiane não aguentou ou se ela cometeu o erro nas sequências, ELA foi até a Grécia e fez o que era pra feito. Quem não gostou da apresentação dela, vá lá e faça melhor.
Agora, quem vem em um blog, “tentar” escrever bonito, só pra criticar ela, vá se foder. O Brasil tá cheio de merdas como vocês, que só sabem criticar e metar o pau nos brasileiros (ou seja, vocês mesmo). Tenham um pouco de dignidade e passem a respeitar os nossos atletas.
Claro que “errar é humano”, concordo.
Mas se vc é o Ivo Pitanguy, por exemplo, o melhor (ou um dos melhores) do mundo e “erra” numa cirurgia, seu cliente vai ficar com o nariz torto. E vai te processar…
Quando um atleta chega nesse nível não PODE errar. Não pode ficar nervoso, passar mal, dar chilique, vomitar no banheiro…
Faz parte da “job description” de atleta top participar de competições importantes, saber lidar com a mídia e até mesmo aturar o chato do Galvão Bueno.
Na vitória e na derrota.
Desde a Grécia Antiga, no momento da competição, os atletas deixam de ser “humanos”, adquirem uma condição sobre-humana, viram os “heróis”, que representam, expiam as culpas e exorcizam os fantasmas de todos nós, meros mortais.
Reclamar da Daiane faz parte do meu direito de torcedor tanto quanto festejar a conquista do Penta no Japão.
Não precisei entrar em campo e lançar aquela bola pro Ronaldo para ter direito de encher a boca e gritar GOOOOL e beber um monte de cerveja depois do jogo.
Do mesmo modo que não sei dar duplo mortal carpado mas me sinto no pleno direito de ficar puto dela ter errado.
Ficar puto também é humano, e os gregos já sabiam disso faz tempo…
Mas se você for um Ivo Pitanguy e errar, você vai ser processado e vai dever explicações. Não está no caso da Daiane, e pode errar, (isso se ela quiser) pois ela só deve explicações para si mesma e não para um bando de ingratos, que na hora de torcer, vibra e solta gritos de ufanismo extremo, mas se ela erra é despejada uma culpa que ninguém tem o direito de falar. Pois, você ou outra pessoa que está criticando, pagou pelos treinos? deu incentivos para ela? não? bom saber…
ficar puto é humano, descontar em outra pessoa por um problema seu é hipocrisia.
E outra, “Quando um atleta chega nesse nível não PODE errar”. Então por que será que nunca se uma nota TOTAL nas modalidades? se não pode errar, todas deveriam fechar com 10, não acha?
Felipe disse:
“Quem não gostou da apresentação dela, vá lá e faça melhor.”
…
Felipe, imagine um mundo onde pra opinar sobre determinado assunto, você precisa FAZER melhor. É ruim, hein? O máximo que conseguirei fazer nesse caso é um duplo twist CHAPADO! hahaha!
…
Quanto à Daiane, ela errou quando não podia e NÃO GANHOU a medalha. Creio que isso já é ruim suficiente (pra ela). Não vamos ficar ‘crucificando’ a menina.
…
O que é discutível, é a GIGANTESCA expectativa criada pela mídia. Ela PODERIA errar os saltos, mas TODO MUNDO levava fé. E as outras PODERIAM (e foram) melhores. A mídia colocou ela no pódio antes de acontecer.
Ahhh sim… agora está certo, GIGANTESCA expectativa criada pela mídia.
Todas erram também, tanto que as notas ficaram muito aproximadas. Só a romena errou menos.
HEHEe.. fazer um duplo twist chapado não é foda, o foda é cair em pé.
ahahahaha
Aí, vamos tentar ler e compreender o que o outro escreve, senão a conversa fica meio impossível…
“não PODE errar” significa “se errar DANÇA!”
Ela errou, perdeu a medalha. Simples.
Agora, dá uma procurada em quem são os patrocinadores da Daiane e vê se a grana que sustenta a moça e o seu treinador não sai do seu bolso na forma de imposto ou de renúncia fiscal…
Não vamos ser mesquinhos mas também não vamos diminuir as coisas. Ela errou, errou FEIO e perdeu a medalha. Pronto.
Concordo que ela não tem que dar EXPLICAÇÕES, mas niguém pode tirar o meu direito de ficar irritado como torcedor. Isso não me torna um ingrato, hipócrita, mesquinho, ufanista enfim um ser humano pior.
E nem a torna a Daiane uma atleta pior, apenas não foi campeã olímpica, como tinha chance REAL de ter sido.
Agora a “culpa” talvez seja da imprensa que não lembrou ao público que ela saiu de uma cirurgia no joelho ou que a dupla de praia brasileira tinha perdido 13 dos 20 últimos confrontos com a dupla norte-americana. Nos dois casos, acenaram apenas com a vitória, para garantir audiência, sei lá…
O oba-oba da imprensa acaba nublando o julgamento do espectador e colocando o atleta numa sinuca de bico. Mas isso não apaga a pisada na bola da Daiane.
Continuo achando que tem algo errado quando um atleta TOP chega na olimpíada e “treme”. Acho que falta de repente uma preparação psicológica maior, ou mais experiência internacional.
E isso é incumbência do COB, do treinador dela, mas FAZ PARTE do fato de ser atleta TOP.
Não digo isso pra apontar o dedo e culpar a moça, mas para que a gente perceba que não é só chegar na olimpíada que conta.
Continuo achando que se vai pra lá com chance REAL de ganhar, não PODE errar. Se errar perde mesmo, oras.
É como a seleção de futebol em 82, 86. Eram melhores que a de 94? Claro, mas erraram, logo perderam.
O esporte é assim.
O importante é competir, mas todo mundo compete para vencer…
Daiane, Guga, Shcheidt…O esporte nacional (fora o futebol) vai continuar vivendo do acaso e do surgimento bisexto de algum fora de série. O que eu mais acho engraçado é jornalista que só sabe falar de futebol (ou melhor, pensa que sabe), que nunca cobriu ou divulgou o esporte olímpico, vir agora querer dar palpite. O nosso pífio desempenho nas Olimpíadas deve-se, em grande parte, à monocultura do futebol. Enquanto a namorada nova do Ronaldinho for mais importante para a “imprensa esportiva” do que um record sul-americano de natação, nada vai mudar.
Mto bom este artigo:
http://nominimo.ibest.com.br/notitia2/newstorm.notitia.presentation.NavigationServlet?publicationCode=1&pageCode=5&textCode=13087&date=currentDate&contentType=html
Gostei mto desta parte:
O que aconteceu com Daiane – combinando-se de deixar para lá a tal da frieza alemã – talvez tenha sido o mesmo que aconteceu com os locutores na prova final do iatismo: síndrome de patriotismo exacerbado. Com um pouco mais de sobriedade, talvez se aceite um dia que iatismo não é futebol, que o campeão não é o Pelé da vela e que mito não se cria com palavra de ordem. Aí, com a emoção livre das distorções ufanistas, ficará evidente que é muito mais fácil dar o duplo twist carpado sem um país pendurado nas costas.