Brasil o país da vela? (ou: momento Lya Luft)

Estou aqui o dia todo tentando rabiscar alguma coisa sobre a vitória do Robert Scheidt. Dizer que a única coisa que eu consigo pensar quando vejo que o cara já ganhou três medalhas olímpicas, todos os campeonatos mundiais desse ano e tem a minha idade é

“E eu aqui descascando batata no porão.”

Aí vem a história da Daiane e seu quinto lugar com um monte de gente caindo de pau (resistindo à tentação de dizer “todo mundo caindo de pau”).

Colega… ela errou feio e é a quinta melhor ginasta do mundo. E você? Não… na boa, o que você é? Não vale dizer que não teve chance, que não nasceu Scheidt, que está mais para Dos Santos. Você tem a vida que tem por livre escolha sua. Dizer que fulano não ajudou, que não teve berço, que não teve escola, que ganhou a Barbie Malibu quando queria era a Barbie Bailarina é tirar o seu da reta e continuar na reta de deixar tudo como está. Você está aqui porque, de uma maneira ou de outra, escolheu estar aqui. Isso, claro, também vale para mim, daí a “revolta” original do texto.

Uns escolhem ser medalhista. Outros escolhem meter o malho no Brasileirinho dos outros.


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 23 Aug 2004, 23:03, em Filosofia de botequim.
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