Paixão no dos outros é refresco

Desde que começou esse bafafá sobre A Paixão de Cristo ser anti-semita, promover o ódio, blablabla e estou para me manifestar.

Agora com essa história de que um advogado de sobrenome Goldberg (afinal de contas dizer um advogado judeu deve ser considerado pejorativo) quer proibir a exibição do filme no Brasil a coisa rompeu a linha que separa a polêmica do ridículo.

A acusação é de que o filme passa a idéia de que os judeus torturaram e mataram Jesus e que isso trará ódio aos judeus. Pegando carona na coluna do Ricon no SoBReCarGa vamos cair na real: alguém pode ser torturado, humilhado, açoitado, crucificado e morto de forma não-violenta?

Jesus era judeu e vivia entre eles. Foi morto por eles e pelos conquistadores romanos por pregar algo contra o que eles pregavam. Uma das coisas pregadas era justamente o amor ao próximo e a tolerância.

Tem mais. Algum advogado italiano entrou com um processo alegando que o filme é anti-romano? Não. Aquilo aconteceu há 2000 anos e uma pessoa sensata não vai culpar alguém por uma coisa que seus antepassados fizeram dois milênios atrás. Aliás vários atores italianos participam do filme.

O problema é que durante toda a história ocidental uma coisa comum foi o anti-semitismo. O sentimento de que “não se pode confiar em judeus”. Boa parte desse sentimento vem, sim, do fato de a Europa cristã não perdoar esse papo de terem crucificado o Guru e não reconhecerem-no como o Salvador. Mas uma parte também vem do fato de que os judeus não estão muito preocupados com esse lance de relações-públicas. Todo mundo que os aceite como eles são.

Ah sim, só para fechar: algum advogado alemão tentou proibir a exibição dA Lista de Schindler porque o filme trazia uma imagem degradante dos alemães e que o povo alemão não tem culpa pelo que meia dúzia de nazistas fez? Não, claro que não. Mas se daqui uns anos fizerem um filme sobre o muro da palestina o panfleto do anti-semitismo será levantado. Normal.

Mas é isso aí. Palmas pro Seu Goldberg que ele conseguiu aparecer na televisão.


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 11 Mar 2004, 19:38, em Coisas que me tiram do sério.

30 Comentários

  1. Marcelus

    Mandou muitíssimo bem.

  2. rafa

    pô, os romanos não tiveram nada a ver. julgaram o cara, que resolveu não se defender. foi um julgamento justo. pilatos não tem culpa nenhuma.

  3. wellington

    Depois de muitas visitas a biblioteca nacional, meditação e peregrinação, cheguei a seguinte conclusão:
    Malditos judeus!

  4. leticia

    Eu sou da opiniao que, se o mundo inteiro tem alguma coisa contra voce, alguma voce aprontou. Vide os ciganos.

    Eu estudei no Rio em um colégio lotado de judeus, e vi de perto o funcionamento da “comunidade”: bilhetinhos em hebraico rolando direto na sala, festas às quais nos, nao-judeus, nao éramos absolutamente convidados. Nao sou anti-semita, no sentido quero-que-eles-morram da palavra, apesar de ser descendente de arabes. Mas que eles incomodam ha muito tempo, isso incomodam. Começando com a parada do empréstimo de dinheiro a juros e casas de cambio na Idade Média e culminando com o controle da midia e de boa parte do mundo financeiro, porque afinal de contas judeu nao perde tempo trabalhando em coisas que nao dao grana. Na minha escola os unicos judeus da turma de Humanas eram os que iam fazer Direito, no maximo Comunicaçao. Na Biomédica, so Medicia e Odonto. Na Tecnologica, so Engenharia Civil. Biologia, Enfermagem, Letras, Pedagogia, Matematica aplicada, essas coisas meio sem fins lucrativos eles nao querem. E continuam se casando entre eles pro dinheiro nao sair da “comunidade”, e com isso a populaçao judia dos EUA (digo dos EUA porque, além de imensa e economicamente ativa, é a mais estudada em pesquisas médicas, mas creio que seja igual no mundo todo) tem mais incidencia de tumores estranhos do que a média mundial - sabemos que a variedade genética faz a força, e casando seus filhos sempre com primos ou primos dos primos o escambo de cromossomos mais variadinhos é escasso.

    Admiro, porém, esse senso de comunidade deles. O judeu de qualquer pais vai pra outro pais e é acolhido e ajudado pela comunidade judaica lah como se fosse um parente. Claro que isso é o resultado de séculos sofrendo repudia do resto do mundo, o que os levou a criar esses sistemas de auto-preservaçao, e isso nao é legal. Mas de qualquer maneira é uma coisa interessante.

    Jah ouvi dizer que o livro sagrado deles nao é disponivel pra quem nao é judeu. Se for verdade, é uma das coisas mais escrotas do planeta. Religiao jah é uma coisa escrota, mas religiao exclusivista consegue ser pior ainda…

    Mas o pior de tudo é que, depois do Holocausto, eles ficaram intocaveis. Nao se pode mais falar de judeu; qualquer coisa que se diga pode se virar contra voce no tribunal. Entao é melhor nem comentar que toda essa farofada da Al-Qaeda, 11/9 e agora 11/3, provavelmente começou por causa desse “ressentimento” (acho essa palavra tao delicada!) contra Israel, que sabemos que pegou as partes melhores das terras “doadas” pela Palestina… (e lembro quando nosso reacionario professor de Geografia comentou isso na sala, os judeus quase estrangularam o coitado do homem).

    Bom, jah dei meu pitaco. Agora é esperar pelas pedras atiradas.

  5. Celso Gajo

    O escritor americano Orson Scott Card (que é mormon) publicou um review do “A Paixão…”, discutindo tanto a qualidade do filme quanto as questões religiosas. O veredito dele é bastante positivo - e não vê nada de anti-semita no filme. Vale a leitura. O link: http://www.ornery.org/essays/warwatch/2004-02-29-1.html

    E, Leticia, não querendo jogar pedra, pelo menos no caso do empréstimo de dinheiro na idade média está faltando uma certa perspectiva histórica… Boa parte dos paises impediam os judeus de terem propriedades - trabalhar com dinheiro foi a forma que eles encontraram para se sustentar.

  6. Dudu

    Concordo com o Celso e vou além: Lê, eu sei que existe esse tipo de coisa na “comunidade”, e voce sabe que eu posso dizer isso de arquibancada (porque os lugares no camarote nao sao para goim :D) Mas eu acredito em algumas coisas que contrapoem uma ou mais coisas no que vc disse :

    - Judeus exclusivistas nao sao piores nem melhores que evangelicos ferozes, muçulmanos radicais ou catolicos anti-semitas. É tudo farinha do mesmo saco;
    - Conhecendo melhor o “cesto”, posso dizer que essas são, com certeza, as maçãs podres (aliás, um grande contingente não está nem aí pra essa de judeu só casar com judia, caso contrário eu estaria solteiro nesse momento);
    - Uma das causas para se temer o ódio aos judeus por esse filme é o fato da organização social deles ter mudado muito pouco de 2000 anos pra cá (me refiro aos ortodoxos), o que pode gerar ódio de alguns, embora eu não acredite nisso;
    - Advogados idiotas (sorry pelo pleonasmo) existem de todos os tipos, cores, “raças” e religiões, vide os Jorges Bejas da vida (isso sem falar do Siro Taliban, que chegou a juiz);
    - O filme deve ser muito legal e “direto”, mas é o que o Cris falou: é uma imbecilidade culpar um povo ou religião por algo que seus antepassados fizeram há 2000 anos. Se fosse assim, os espanhóis não pisariam na América Latina.

  7. Dennis Chimanski Schwartz

    Depois de tudo o que já foi dito, venho apenas colocar mais uma pedrinha. Como descendente de judeus que sou, acho que são um povo fechado mesmo, uma “comunidade” que se ajuda e cria diversas dificuldades, pra dizer o mínimo, aos que resolvam se achegar, seja qual for o motivo.

    Conheço judeus bastante esclarecidos, um deles inclusive é filósofo de formação, que entendem e tem absoluta clareza sobre o papel e o espaço que ocupam no mundo.

    Eles percebem que conquistaram algumas coisas, como o próprio território, se fazendo de vítimas do holocausto. Não que não tenham sido de fato, mas o que acontece é que no mundo e na vida vale mais a versão do que o fato, sempre!

    É por isso que a cada 3 ou 4 anos no máximo assistimos no cinema mais um filme que nos faz, propositalmente, lembrar que eles são uns coitadinhos e que o mundo inteiro tem, por omissão, uma dívida impagável com eles.

    Assim eles conseguem manter esta imagem de pobres coitados enquanto acumulam mais riquezas como fizeram desde sempre.

    Julgar se isto é certo ou não envolve uma porção de valores que tornariam este comentário muito maior do que já está. Só digo uma coisa: isto aqui é um jogo e quem não entendeu isso ainda vai continuar de expectador a vida inteira achando que gritar muda demais o placar final. Eles são um time, e estão em campo.

  8. Lavi

    Essa história vai render um bocado. Não dá para negar que muitos dos que atacam os judeus o fazem apenas por serem judeus. Não dá pra negar que boa parte dos judeus hoje não aceita nada contrário a eles. Qualquer crítica é taxada de “anti-semitismo”. Generalizam quando são vítimas de generalizações.

  9. dawalibi

    Gibson tem pretensões de historiador (até o filme é falado em aramaico e latim). Pois como historiador, nota 0 para ele. Primeiro, porque subestima o papel de Pilatos (e de Roma) na condenação de Cristo (os Romanos eram ciosos de sua autoridade, e jamais teriam crucificado Jesus se não o temessem como um revolucionário). Segundo: quem tramou as acusações contra Jesus não foram “os judeus” (Cristo era popular entre o povo), mas sim o alto clero judeu (leia-se, o Sumo Sacerdote e seus cupinchas). Naquele tempo, como hoje, o povo sempre esteve à margem das decisões da elite. Terceiro: erros bizarros sobre detalhes históricos, como por exemplo, a fixação de Jesus na cruz com cravos nas mãos (os cravos eram fixados abaixo dos punhos para poder sustentar o peso do corpo).
    Enfim, ou Mel Gibson é anti-semita (o que eu não acredito) ou seus conhecimentos históricos só lhe permitem fazer filmes da qualidade de Máquina Mortífera (o que eu acho mais provável).
    Mas todos esses erros não justificam, obviamente, a ridícula atitude do advogado Goldenberg, que ao invés de se dedicar ao debate histórico sério - melhor antídoto para esvaziar o filme - prefere recorrer à “boa e velha” censura. Quem agradece é Mel Gibson, que com a polêmica está ganhando publicidade gratuita para seu filme.

  10. Rique

    Ótimo ver que os esclarecidos são maioria neste território.

    Para a visão judaica de mundo (a religiosa, não a política), uma ótima introdução é “O Judaísmo para Iniciantes”, de Charles Szlakmann, editora Brasiliense.

    Para a teia política que os israelenses e semelhantes lançam sobre o mundo, nada melhor que “A Indústria do Holocausto”, de Norman G. Finkelstein, lançado em 2001 pela Record. Escrito por um judeu, professor universitário, filho de sobreviventes do gueto de Varsóvia, e profundamente crítico do Holocausto como “representação ideológica” que dá um poder ilimitado ao Estado israelense, além de mover uma indústria de indenizações milionária.

  11. Dudu

    Acho que o(a?) Dawalibi disse tudo!

  12. patricia

    tenho a impressão de que os judeus querem ser vítimas perpétuas, disso ou daquilo. proibir um filme ? por favor !

  13. Celso Gajo

    Aí você está generalizando, Patricia. Tem radicais de todas as cores, credos e gêneros. Ou você, presumindo que seja católica, apoiou quando proibiram o “Je Vous Salue, Marie” uns anos atrás? Eu sei que não apoiei e não gostaria que dissessem que aquilo foi prova de que os católicos são intolerantes. É apenas prova de que há intolerantes católicos e que, infelizmente, eles as vezes fazem mais barulho do que aqueles que não o são. Não creio que o caso do Goldberg seja diferente - quando muito ele deve ser o porta-voz de uma minoria raivosa.

  14. duard

    (Mein Kampf)
    Adolf Hitler

    Explica certinho o que é um Judeu :-)

    É escroto, o que estou afirmando.

    Mas não deixa de ser verdade, apesar, de ser o ponto de vista do Hitler !!!

  15. leticia

    Dudu, claro que voce tem razao - gente escrota existe em tudo que é lugar, independente de classe social, cor, tamanho, preferencias gastronomicas. O que eu acho é que uma religiao que nao abre os braços pra acolher quem quer que seja, o que fazem TODAS as outras, tem alguma coisa de esquisito. A minha unica amiga judia na escola também tinha namorado nao judeu, mas ela nao se considerava judia: nao falava hebraico, nao participava da comunidade, nao ia à sinagoga, nada disso, portanto, nao tendo um comportamento classico judeu, o caso dela nao conta. Seu irmao era o contrario, e jamais teve uma namorada nao judia na vida.

    Esse exclusivismo é uma coisa muito esquisita, e nao tem nada a ver com fanatismo (alias, nao sei o que é pior). Acho qualquer religiao uma bosta, mas acho que se seu papel, ainda que na minha opiniao seja ridiculamente falso, é o de integrar, educar, orientar, sem fins lucrativos, essas coisas tem que ser oferecidas a quem quiser ou precisar, e nao somente a quem nasceu filho de mae judia. Porque aih, a meu ver, nao é mais religiao, é sociedade secreta, e a coisa toda muda de figura.

  16. Dudu

    Lê, voce bateu no ponto crítico da questão, já abordado pelo Cris no blog: religião. E em relação aos “exclusivista”, que temem tanto a “assimilação”, a tendência natural (com duplo sentido) é que isso desapareça

  17. Pedro

    Essa polêmica toda que algumas pessoas judias estão criando muito se assemelha ao comportamento da Luma de Oliveira.
    Ambos querem aparecer na mídia.
    Daqui a pouco vai ter um programa para judeus na RedeTV…tá dando um IBOPE!
    Só sei de uma coisa, com essa polêmica toda só quem está se dando bem é o Mel G. e seu filme em aramaico.
    Tipo, antes disso tudo eu não estava com muita vontade de assisti-lo, mas agora, mal posso esperar pela estréia aqui!

  18. duard

    :-D

    O Jornal Nacional, o Jornal do SBT, o Jornal da REDETV o Jornal da BAND, o Jornal da Record … são todos jornais de Judeus !

    kuá-kuá-kuá-kuá-kuá-kuá-kuá-kuá-kuá

    Na revista istoé ja te um grande artigo sobre o filme e suas provocações.

    Acho que a istoé também é propriedade de judeus !

  19. Adamastor

    Já que o assunto é preconceito, o Dudu não falar tais sandices sobre a nobre classe dos advogados.

    Data venia, obviamente.

  20. Adamastor

    correção: “não devia falar”

    []’s

  21. Libbe zu Dritte

    Podemos começar por lembrar que judeu não é raça…

    Mas abster-me-ei dessa discussão…

  22. André Kenji

    Duma certa forma, o Gibson quis remete à tradição cristã, presente nas pinturas do Renascimento e barroco.

    Nela, Jesus Cristo é caucasiano e há os “erros” da cruxificação.

  23. Guga

    Lembro-me em plena infância, no governo do Sarney, baixaram uma canetada aonde o filme “je vous salue marie”, uma visão contenporânea de Nossa Senhora, não seria exibido no Brasil.

    Claro que o cleto brasileiro estava pro detrás da jogada.

    Claro também que com a proibição, todo mundo ficou curioso em assistir.

    Claro também que o filme deve ser tão ruim quando o “Dogma”, que quizeram proibir, mas dessa vez, não proibiram.

    Não discrimino o Iceberg por ser judeu. Discrimino ele por ser advogado - o que imagino exigir um mínimo de esclarecimento e ter conhecimento que censura é que deixa o pecado mais atraente.

  24. Pedro Lemos

    Curioso é que o JC morreu justamente porque dispensou a assistência de um advogado. Deixou tudo na mão do tal “pai” e deu no que deu. Masoquista!

  25. Nishi

    Advogados… isso sim é algo problemático!

  26. Dudu

    hehehehehehe
    Acho que o JC devia ter chamado o Kevin Lomax para representa-lo na audiencia… :)

  27. Daniele

    O advogado pode ter pedido a censura do filme, mas o rabino Henri Sobel disse que a palavra censura não existe no vocabulário judaico e não defende a proibição.(http://oglobo.globo.com/online/cultura/141025404.asp).

    Resumindo: gente que acha que tem o direito de censurar as idéias dos outros, tem em todo lugar, de toda religião e de toda profissão.

    Agora, eu sou agnóstica e há um tempo atrás li um post neste mesmo blog reclamando da descriminação contra as pessoas sem religião e criticando a galera que faz um discurso contra aqueles “sem jesus no coração”. Vários comentários concordaram que era injusto associar pessoas sem religião à violência, drogas e outras mazelas sociais.

    Sob o meu ponto de vista, é a mesma coisa com os judeus. Eles ficam incomodados quando se lança um filme onde a culpa pela morte de Cristo recai sobre seus antepassados. Eu acho que eles tem direito de reclamar. A censura pode não ser o meio certo, mas que eles tem direito de reclamar sim.

  28. Adamastor

    Jesus foi o primeiro a invocar o direito ao silêncio, que hoje é considerado direito universal do homem, graças à Revolução Francesa.

  29. rafa

    é, e com esse artifício muito inteligente a gente vê como ele morreu…

    - e aí, jesus, você fez isso?
    - …
    - fez?
    - …
    - não vai dizer?
    - …
    - fala logo!
    - …
    - então eu não tenho nada com isso, já que não quer se defender…

    pô!

  30. Nando

    Acho que não devemos julgar religião nenhuma!Ninguém é obrigado a seguir uma religião, temos o livre arbítrio de escolher o que queremos. Atirar pedra nos judeus ou nos católicos é ser preconceituoso. Acho que em todas as religiões tem os extremistas que não acho legal, mas não vou julgá-los. A verdade é que devemos acreditar no que nos faz bem. É isso!

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