Com a palavra o professor
O professor Paulo Bortoli era o cara mais “maluco” da turma do Projeto Horizonte, finado projeto para ensino básico da IBM da qual fui parte. Sempre tinha uma tirada engraçada e, com seu sotaque gauchão, animava o grupo. Ao completar 50 anos ele reflete sobre a educação no Brasil e como temos encarado escola meio como “futebol de resultados”.
De: Paulo Bortoli
Assunto: 1/4 do dobro de um século
Pessoal,
Primeiro quero cumprimentar todos que já completaram em 2003 mais um ano neste planeta, se não me engano, o terceiro do sistema solar. Hoje estou fazendo cinqüenta aninhos (não confundir com a parte terminal do aparelho digestivo).
Confesso que não estou muito feliz, não é por causa da idade, mas porque a profissão que tanto gosto está cada vez mais perigosa, triste e sem sentido. Quem trabalha nas escolas diariamente e diretamente com alunos certamente sabe como anda a educação, aqui em POA e no Rio Grande do Sul onde o ensino, público e privado, era ótimo, tudo está mudando. No ensino privado o aluno é não mais aluno é “cliente”, no público ele é “estatística” para propaganda eleitoral, não importa se aprendeu ou não, se compareceu às aulas ou não, por isso ele a qualquer custo deve ser aprovado, mesmo que ele não tenha apresentado condições para tal. Entre várias discussões que já tive com os caciques da mantenedora uma das respostas que recebi foi: “Paulo, tu sabes, aluno de vila não vai ser nada mesmo”.
Mas é meu ganha pão, tenho três filhos e mulher para sustentar. Hoje em dia não está fácil conseguir emprego. Admito, deixei-me corromper.
Mas ainda tenho ideais latentes, que como uma semente esquecida sobre um solo infértil espera que as condições mudem para, então, germinar e dar flores, frutos e novas sementes e, recursivamente, gerar uma grande e bela floresta.
Beijos e abraços,
Paulo
Concordo em todos os pontos apresentados pelo professor. Assim como ele, fui professor de escolas públicas e particulares e vejo como a situação está bizarra.
Mas ao contrário, não me deixei corromper. Há 6 anos deixei a área de ensino médio e agora trabalho com programação de computadores. E nestes 6 anos, não houve um momento sequer em que eu tenha me arrependido de tal decisão.
cada um se corrompe como pode.
Não tive tanto contato com o Paulo no projeto mas sei que ele é uma pessoa séria e animada, e se ele está assim é porque a coisa tá feia mesmo
Como se “rodar” alunos fizesse eles aprenderem mais…