Tomar que remédio mesmo, dotô?

Que letra de médico é impossível de entender todo mundo já sabe. Também é conhecimento mais ou menos comum que eles se orgulham disso. Algo como uma piada interna, onde a piada é em cima da gente.

Mas agora os números dessa palhaçada começam a aparecer. O NYTimes conta dos gastos que governos dos EUA estão tendo para minimizar os problemas causados pelos garranchos.

US$ 26 milhões foram liberados para localidades rurais informatizarem suas bases de dados com o objetivo de aumentar a segurança dos pacientes. O principal alvo: que todas as receitas sejam corretamente interpretadas por enfermeiras e farmacêuticos.

Um estudo feito no Texas em 1997 com seis enfermeiras experientes lendo receitas escritas por 36 médicos diferentes descobriu que 20 por cento das receitas e 78 por cento das assinaturas eram ilegíveis. Outro estudo texano no ano 2000 apurou que 10 por cento das receitas médicas de um hospital e 15 das receitas em uma farmácia comunitária era ilegíveis.

Ou seja, os médicos escrevem de maneira cada vez mais impossível de ler e a resposta é desembolsar vinte e seis milhões de dólares para tentar resolver isso usando computadores?

Eu só acho que um caderno de caligrafia seria bem mais barato.


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 24 Sep 2003, 00:12, em Fala sério.
© 2000-2008 Cristiano Dias. Alguns direitos reservados. Só alguns, não se preocupe.
Based on a tbeseda & 5ThirtyOne design. doismidela primeraza
RSS