Drift
Uma dança sem corpo. [ via BlogDex ]
Eu ia entrar numa discussão aqui sobre o que é e o que não é arte, mas falta tempo. É que quando ainda estava no Canadá vi um programa onde um sushi-man contava suas mágoas com o patrão dizendo “o que eu faço é arte e ele não vê isso”.
Desculpa, chapa, mas seu trabalho não é arte. Trabalho e arte não podem estar na mesma frase. Isso é arte.
Mas depois a gente continua o papo. Ou não.
Então como fica o afresco do forro da Capela Cistina? Foi um trabalho contratado do Michelangelo…
Nao sei definir o que é ou não é arte, mas acho que o assunto vai além dela estar ligada a um trabalho ou não.
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Bacana… como tem gente com tempo sobrando, né não?
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Existem dois aspectos neste assunto. O fato de você dominar alguma coisa que não é comum a todos, e que de alguma maneira impressiona, eu considero arte. Assim como minha mãe faz aqueles bolos maneiríssimos que dá até dó de comer, um sushi-man também pode se considerar artista, mas aí caímos na questão que a Daniele levantou.
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Sinto, mas vou ter de discordar.
E os trabalhos artesanais? As construções milenares que superam algumas atuais? Até mesmo grandes invenções (que eram um trabalho) sem as quais não poderíamos viver.
IP: 200.213.10.130
Arrá, urru, despertei a ira de uma designer.
Bom é claro que esse papo de o-que-é-arte e o-que-não-é-arte já deve até ter rendido teses de mestrado e não é um blog que vai resolver. Mas eu acho bom esclarecer que eu considerar uma coisa “não-arte” não a diminui em nada. A Capela Cistina mesmo… cara, “mó obrão”. Mas eu duvido muito que o Papa tenha virado e dito “Ô Miguel, faz o que você quiser aí.”
Eu (ênfase em “eu”) traço uma linha bem definida. Pra mim tudo se resume a origem da obra. O que motivou o artista em potencial a criar aquilo. Se foi “de dentro pra fora” é arte. Se foi “de fora pra dentro” é trabalho. Mesmo que o cliente dê carta branca, não se meta, etc.
Um artista pode ser um trabalhador de vez em quando? Claro. Vice-versa? Claro. Os trabalhos são menores que as obras de arte? Não necessariamente.
Como eu vi Frida vou citar o exemplo do Diego Rivera. O cara era um artistão, mas foi contratado pelo Rockefeller pra pintar um painel. O Rivera queria fazer arte, queria fazer “de dentro pra fora”. O Rockefeller Skank queria um trabalho, uma coisa pra enfeitar seu saguão. Deu no que deu, o trabalho foi “devolvido”.
Enfim, isso dá um papo para muitas e muitas rodadas em um bar e se fez a Dani colocar comentário no meu blog já valeu o esforço.
IP: 200.141.119.27
Essa do artesanato é um boa. O Aurélio, por exemplo, derruba toda minha teoria só com a definição de “artesão”.
artesão 1. [Do it. artigiano.] S. m. 1. Artista (4) que exerce uma atividade produtiva de caráter individual. 2. Indivíduo que exerce por conta própria uma arte, um ofício manual. [Fem.: artesã; pl.: artesãos.]
IP: 200.141.119.27
Cara, eu considero arte, obrigatória ou não, simplesmente pelo fato do cara ter que usar a criatividade, alma, tesão, seja lá o que for para criar e agradar o cliente. A partir do momento que você é obrigado a usar um “dom”, ou seja, algo que você, teoricamente, faz de melhor, a arte está incluida pois a sua criatividade tem que ser colocada a prova. Criatividade e arte andam de mãos dadas, não é?
IP: 200.157.150.4
sua afirmacao fica um pouco confusa (ou cria um cenario confuso) porque praticamente equivale a dizer que arte nao e’ trabalho…
melhor tomar cuidado com reducionismos.
IP: 200.214.93.137
Vocês ainda não virão nada, esperem pela mostra Art Revolution, da Tate Gallery de Londres, que tá aqui em Sampa. Vergonhoso e esclarecedor.
São 43 anos de “arte” que não valem dois minutos de apreciação. Explica muito o lugar comum e o vázio que imperam.
IP: 200.174.98.80