Do buffet ao restaurante a quilo

Está rolando nas bocas uma dita apresentação secreta da Telefonica SP sobre os novos rumos do Speedy. Entre muito blablabla marketeiro-gerencial (como chamar problema de desafio) a grande novidade que notei é que eles querem limitar o consumo mensal de banda por conta do assinante. A apresentação, claro, não entra nos detalhes legais da coisa — não explica por exemplo se os atuais assinantes vão ter um “plano de transição”. Mas se antes o serviço era coma o quanto quiser eles querem passar ao sistema a quilo, como aliás já faz o Virtua (até onde eu sei sem grande sucesso, já que muita gente desiste de assinar o serviço justamente quando vê esta cláusula).

Vendo rapidinho o lado da Telefonica lembro que eles têm um custo por banda consumida. Quanto mais seus usuários baixam arquivos mais eles pagam ao backbone (Embratel?). Só que eu, como consumidor, quero mais é deixar o KaZaA ligado o dia todo sem me preocupar com isso, mais ou menos como faço com minha TV a cabo. Não é por (hipoteticamente) ver filme todo dia que eu pago a mais. Tecnicamente são coisas totalmente distintas, mas na cabeça do consumidor é tudo “um fio que entra pela minha parede”. Em segundo lugar ter banda larga hoje em dia já é caro como está, muita gente nem tem o dinheiro para bancar então não me venham aumentar o preço “para quem pode pagar”. Popularizem a coisa.

O problema disso tudo é que como Internet é, aos olhos do governo, “valor agregado ao serviço de telecomunicações” a Anatel não se mete. Essa foi a justificativa dada ao “não tenho nada com isso” que recebi da agência quando enviei um e-mail reclamando que meu Velox simplesmente não funcionava. Sem ninguém para regulamentar as prestadoras deitam e rolam, já que concorrência não há.


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 21 Aug 2003, 17:26, em Liberdade Digital.
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