Chame o ladrão, chame o ladrão?
Várias vezes, enquanto morava “lá no norte”, contava a quem perguntasse que um dos motivos para minha saída do Brasil era que eu não sabia de quem eu mais tinha medo: da polícia ou do bandido. Nunca senti confiança nos poliça cariocas, enquanto que lá fora ficava aliviado de ver um.
Depois que eu voltei as coisas mudaram um pouco. Com toda essa guerra civil que anda por aí neguim tem que ser muito macho pra ser policial. O cara ganha pouco e tem que se meter no meio da guerra sem muito equipamento e, normalmente, com a população contra. Ao voltar pra casa corre o risco de ter seu ônibus assaltado, os bandidos descobrirem sua profissão e morrer ali mesmo. Criei um novo respeito pelos policiais, mesmo os malas que me param em blitzen.
Agora a Anna manda o link da notícia do coordenador dos presídios do Complexo Penitenciário de Bangu assassinado no meio da Avenida Brasil. Eu já trabalhei (dando aula de informática) no complexo da Frei Caneca e sei que aquele pessoal ganha pouco mas, aos trancos e barrancos, leva seu trabalho a sério.
Em dezembro de 2002, então diretor do Instituto Penal Esmeraldino Bandeira, em Bangu, Rocha foi atacado por um bando armado quando saía de casa pela manhã. Na ocasião o agente reagiu e levou um tiro de raspão na perna direita.Em entrevista ao jornal Extra, perguntado sobre o que havia mudado sua vida depois do atentado, Roberto afirmou que esperava sempre o pior e quase não saía mais de casa, a não ser para trabalhar.
Ou seja, o cara se priva de viver por acreditar que a justiça é possível e acabam provando, à bala, que ele estava errado.
Vamos falar sério: quando uma organização criminosa mata um servidor público porque ele está cumprindo com rigor o seu dever, quem perde é a sociedade. Afinal, a mensagem é clara: eles vão continuar a cometer crimes, e matam quem quiser impedí-los. E assim, aumenta a insegurança pública; vivemos como presos, com medo. No ano passado foi o Promotor de Minas. Neste ano, dois Juízes (SP e ES) e, agora, o Coordenador de Bangu. E tem gente que ainda apóia, diz que tem que matar uns cinco, “assim quem sabe eles aprendem”. Esse crime, como os outros que citei, foram cometidos contra todos nós. Quando o crime vence, quem perde são os cidadãos de bem.