Antes de mais nada um aviso: este blog vai ficar chato. Melancólico. Se você já achava isso aqui mais-ou-menos não se dê ao trabalho de ler mais nada daqui em diante. Volte ano que vem. A explicação abaixo, inclusive, pode ser usada para o porquê da chatura. Quem sabe eu nunca mais escreva aqui. Não tenho saco nem de trabalhar (fenômeno iniciado semanas atrás), quanto mais de blogar.
O que é totalmente complicado das pessoas entenderem é que, apesar de todo dono achar que o seu gato é o mais especial do mundo o Billy é o gato mais especial do meu mundo. A culpa não é dele. No início eu realmente achava que ele era especial mas depois, lendo, vi que os siameses são uns dos gatos mais apegados aos donos que existem — isto vindo do dono de um gato que acabou de fugir de casa.
A diferença é comigo e não com o gato. Vivendo três anos num lugar onde só fui convidado para ir à casa de outra pessoa três vezes qualquer gato se torna o melhor amigo do homem. Morando numa cultura onde o maior contato físico que você vai ter com alguém é um aperto de mão — mas normalmente os cumprimentos são apenas um aceno de cabeça “opa, e aí?” — qualquer gato vira seu companheiro. Passar três anos falando com seus amigos por ICQ é capaz de fazer até uma pulga virar seu amigo. Ter um casamento que — sem querer desmerecer [muito] a companhia da Renata — acabou em divórcio também não ajuda.
Aí chega o Billy, um gato que, foda-se a sua opinião, era especial sim. Ele era carinhoso, carente. Dormia comigo todo dia, mesmo eu sempre chutando o pobre coitado. Adorava brincar e a gente até perguntava “você é um gato ou um cachorro?” porque ele ia pegar coisas que a gente jogava (não muito longe, claro). Misture tudo, leve ao forno e fácil, fácil chegamos à conclusão de que o Billy era 90% da fonte de carinho e contato físico que eu tinha com qualquer coisa.
Lembrei da história que o carregador de malas do aeroporto de Guarulhos me contou: de um conhecido dele que era interno do Carandiru e tinha um rato de estimação, o Steve.
Uma vez perguntei prum amigo francês por que é que todo filme francês tinha final trágico, triste. Ele, com um sorriso no canto da boca e seu sotaque carregado mandou: “Because life sucks”. Poizé. A vida não é um filme. Ou a vida é um filme francês.
Bom, chega. Esse texto só está aqui para que um dia eu volte, leia e, oxalá, ria disso tudo.
PS: Piadas. Eu não ligo para piadas. Piadas fazem (ou tentam fazer) a gente rir. Descontraem. Nem que seja pra dizer “essa foi horrível”. Dizer “ele vai voltar, gatos sabem o caminho de casa” também é legal, é esperança. A linha divisória entre o legal e o atomanocu começa em “você tem que entender que gatos são assim mesmo”, passando por “entrege nas mão de Deus” e por aí em diante. Isso é não entender o problema.
PS/2: Qualquer menção a “por isso que eu odeio gatos” ou “cães são muuuuito melhores que gatos” serão retaliados com bombardeios de mísseis Tomahawk.