O resgate da soldado Lynch

A versão oficial: a soldado Jessica Lynch foi capturada por soldados iraquianos após levar tiros nas costas, esfaqueada, torturada e presa em um hospital em Nasiriya. Seus bravos companheiros invadiram o hospital tomado por Fedayeen (os soldados-do-deserto) e sob cerrado fogo cruzado resgataram a militar de 19 anos. Câmeras de TV ao vivo acompanharam tudo.

A versão real: Jessica não foi baleada ou esfaqueada. Os médicos do hospital deram as melhores camas e enfermeiras disponíveis no local. Dois dias antes do “resgate” os médicos iraquianos tentaram levar Lynch de ambulância para os americanos, mas foram recebidos a bala em um posto de fronteira e obrigados a voltar. Um dia antes do gesgate os Fedayeen deixaram o hospital. Soldados americanos invadiram o hospital à noite, usando câmeras noturnas para transmitir o evento ao vivo para o mundo todo, encontrado médicos atônitos que ouviam balas de festim e explosões pipocando para todos os lados.

Now that’s entertainment.

Entre os consultores do pentágono está o produtor Jerry Bruckheimer, de Armageddon, Pearl Harbor (aquele filme que esquece de mostrar a parte onde os americanos jogam bombas atômicas em cima da cabeça de duas cidades japonesas) e Falcão Negro Em Perigo. Bruckheimer também produz a “reality series” Amazing Race, que outro dia esteve no Rio de Janeiro.

“It was like a Hollywood film. They cried ‘go, go, go’, with guns and blanks without bullets, blanks and the sound of explosions. They made a show for the American attack on the hospital – action movies like Sylvester Stallone or Jackie Chan.”

Quem precisa de cinema quando se tem a *cof* *cof* realidade?

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