Mudando o P
Demorou mas aconteceu: a reforma tributária apresentada hoje acaba com a enganação de chamar a CPMF de provisória e a torna permanente.
Nóis que era bobo de achar que um dia ia acabar.
No Canadá (antes que comecem os gritos de “o Brasil é uma bagunça mesmo”) o governo inventou, em 1991, um imposto “provisório” a ser incluído nas compras, o Goods and Services Tax (GST). Além da taxa de compra das províncias (que na Manitoba é de 7% e em Alberta zero) que segue o modelo americano do preço anunciado “mais taxas” o consumidor pagaria 7% adicionais para o governo federal. Assim como a CPMF o GST era “provisório”, só até o governo acertar as contas internas. Hoje em dia as contas estão bem melhores mas nada do GST ir embora. A piada local é que cada candidato a Primeiro Ministro promete acabar com o GST, mas como por lá o Primeiro Ministro é o mesmo desde 1993 as coisas vão continuando como sempre.
Mas Cris, permita-me uma pergunta: o cidadão do Canadá não é melhor retribuído pelo imposto que paga? Porque o que faz do Brasil “uma bagunça mesmo” é justamente isso: impostos cada vez maiores, serviços públicos cada vez piores.
Bom dawalibi, realmente espera-se que sendo o Canadá um dos top-top da ONU em qualidade de vida o dinheiro dos impostos seja melhor usado. Menos buracos nas ruas, mais gente nas escolas, etc. Mas o fato é que havia um rombo nas contas públicas (sinal de dinheiro não sendo tão bem usado assim) e foi inventado um tapa-buraco que vai virando definitivo.
Outra coisa a se notar (que é o tema de um texto que venho enrolando pra escrever) é que o brasileiro acha que o governo tem que fazer tudo. Se a calçada está suja nós sentamos e reclamamos do absurdo que é o governo deixar a calçada assim. Nos EUA é justamente o contrário, o povo quer que o governo se meta o mínimo possível em suas vidas, vai lá e faz ele mesmo.
O Canadá tendo sido criado pelo pessoal monarquista das colônias inglesas tem as coisas no meio termo: eles esperam mais do governo do que os americanos mas nem sem compara com o Brasil.
Por lá existem várias instituições filantrópicas e o governo deixa você abater contribuições a estas instituições do imposto de renda. Como aqui no Brasil isso virou baderna com gente inventando ONG fantasma pra descontar imposto a coisa fechou.
Mas, como eu falei, isso é um papo longo demais pra caixinha de comentários.
Vc tem razao. O brasileiro ficou muito acostumado com as politicas assistencialistas do passado e espera tudo do poder publico. Primeiro, nao ha’ a nocao de que o governo e’ a representacao da sociedade, uma especie de materiazalizacao do coletivo. Se o governo faz errado, ele nao e’ uma entidade autonoma, ele e’ um pouquinho de cada um de nos. Segundo, nao adianta se portar como um maniaco, detonando no transito, sujando a rua, fazendo obras irregulares em casa etc, esperando que o governo tome uma atitude… Ou o brasileiro muda essa cabeca, ou vamos nadar na merda eternamente. Morando temporariamente no exterior, tenho visto como a cabeca das pessoas funciona diferente em relacao ao governo, e’ impressionante.
O problema aqui é justamente o contrário. O Estado é quase parasitário, sugando os impostos da sociedade. Não acho que o “governo” tem que dar tudo, mas segurança pública, sistema de saúde digno e educação de qualidade são o mínimo que podemos esperar de um Estado que tem uma das maiores cargas tributárias do mundo. Os serviços públicos americanos não podem servir de parâmetro, pois eles estão sucateados. A saúde pública dos EUA é totalmente ineficiente, e recebe críticas mundiais.