Land of the free my ass! Parte II
Produtor da minissérie para TV Hitler é demitido pela CBS e pela produtora canadense Alliance Atlantis (a mesma que financiou Tiros em Columbine) por traçar, em uma entrevista, um paralelo entre a Alemanha dos anos 30 e os EUA atuais.
O jornal direitista New York Post (responsável pelo primeiro capítulo da nossa saga e controlado pelo mega-empresário Rupert Murdoch, sócio da operadora de satélite brasileira SKY e que acaba de comprar a DirecTV) usou a entrevista de Ed Gernon à revista TV Guide como um exemplo do “anti-americanismo” de Hollywood chamando a minissérie de “uma afronta ao presidente dos EUA e, portanto, uma afronta aos EUA”.
A CBS e a Alliance Atlantis colocaram o galho dentro e, com medo de um boicote de anunciantes ao programa, demitiram Gernon.
Assim sendo podemos esperar uma minissérie que vai simplesmente mostrar que Hitler era um homem muito, muito mau.
Dizer que quem é contra o presidente dos EUA é contra a América equivale a repetir a célebre frase de Luís XIV: L’estat Ces’t moi. O Estado sou eu. Mas ainda mais distorcido, porque tal chancela ao neo-absolutismo parte daqueles que deveriam ser o primeiros a posicionar-se contra tais abusos cometidos pelo presidente americano, justamente por possuírem o poder da mídia ao seu lado. Uma vergonha.
Que ironia ouvir Rupert Murdoch, um Australiano, chamar o cara “anti-Americano.” Filho da mãe! Tomara que tivessemos lei contra posse de jornais e redes de televisão por estrangeiros aquí.
Sospeito que coisa parecida aconteceu a Martin Scorcese nos Oscars, onde não ganhou na categoria de melhor diretor. Ele tinha dito umas coisas sobre as paralelas entre Gangues de Nova York e os eventos dos dois anos passados. Quem sabe? Em fim, o gangue de Bush utilizaba o fato de Polanski ter recebido o prémio como evidencia de que o Hollywood antiguerra é nada mais do que uma turma de safados, já que Polanski e um “pedófilo.”
Continua sendo land of the free, só que as pessoas (os “pacifistas” anti-americanos) não querem que os outros tenham direito a boicotá-los. Qualquer um tem todo o direito a boicotar ou demitir pessoas anti-americanas.
Esse pessoal não é pacifista de verdade, eles apenas usam a guerra para expressar seu ódio ao Bush. Como é que esses pacifistas fajutos não foram para o Iraque protestar contra os massacres que Saddam Hussein perpetrou?