Protesto (Beba guaraná - parte III)
Rolou semana passada um artigo do Tutty Vasquez (vi no TopLinks) dizendo que é besteira esse papo de parar de tomar Coca-Cola e comer no McDonald’s como protesto contra a guerra. Que não adianta nada e que parar de consumir produtos de empresas americanas não vai afetar em nada o cenário da guerra.
Tudo bem, mas assim como o Tutty tem o direito de dizer o que pensa cada um tem o direito de boicotar as empresas que quiser pelos motivos que tiver na cabeça. Só que tem outra: parar de beber Coca-Cola pode não adiantar de nada, mas fazer passeata, publicar protestos no blog ou mandar e-mail-corrente-falando-mal-do-Bush também não. Ou seja, se cada um for pensar no potencial de mudar a cabeça de um presidente dos EUA fazendo qualquer coisa aqui no Brasil é melhor ficar em casa vendo Faustão porque nada vai fazer diferença.
Eu falei aqui “beba guaraná” mas enquanto estava no Canadá bebia uma latinha vermelha de Coca por dia. Cheguei a brincar “em protesto de agora em diante só bebo Pepsi!”. Eu pretendo, sempre que possível, evitar o consumo de marcas americanas. Não como piquete-anti-guerra, mas simplesmente como maneira de incentivar a indústria nacional. Não acho que vá adiantar grandes coisas afinal de contas sempre há um ou outro capital estrangeiro nas grandes empresas brasileiras. Mas se tiver a opção entre um produto pelo menos “montado” no Brasil vou dar preferência, por ele gerar empregos aqui e não lá. Quando só tiver opção de importados escolho um europeu a um americano.
(E este foi o primeiro post-grande escrito no Brasil. Aê!!!)
Sou cético com relação a esses boicotes. Exemplo simples: a AmBev, que produz o Guaraná Antarctica, possui acordos de distribuição com a Pepsi no Brasil e no exterior. A PepsiCo simplesmente doou US$ 720 mil para a campanha presidencial do Bush Jr. Se é pra galera fazer boicotes sem nem se informar decentemente, melhor deixar como está. A não ser que bebam suco de laranja.
Em tempo, a lista das empresas que fizeram maiores doações para a campanha do Bush está disponível aqui:
http://www.boycottbush.net/consumers.htm
Mas, a coca-cola é “montada” aqui no Brasil e o Big Mac também. Se boicotarmos o MD e a Coca, muitos brasileiros perderão seus empregos e os americanos não vão deixar de ganhar royalties por isso. Pelo contrário. A franquia, mesmo que não venda nada, é obrigada a enviar royalties prá matriz. E, se a loja quebrar e for obrigada a fechar, é o franqueador (MD) que fica com o imóvel. Prefiro pensar que estou dando dinheiro para o empresário que apostou até seu último centavo para abrir uma franquia do MD e no emprego que ele dá a milhares de jovens que, bem ou mal, começam a vida.
Quanto às “montadoras” de refrigerantes daqui, não acredito que o esquema seja muito diferente pois eles devem mandar muito dinheiro para os EUA, quer vendam quer não vendam seu produto.
Mas, todo mundo é livre prá consumir o que quiser, né?
O melhor boicote quem poderia fazer é a população americana: Hillary 2004!
Simplesmente o povo não pensa que muita gente vive das empresas multinacionais.
Consciência e cultura…