H1-B
O pau está comendo no Slashdot na discussão sobre o processo que ex-funcionários da Sun estão movendo contra a empresa, alegando que foram mandados embora e substituídos por imigrantes-temporários (que têm o código de visto H1-B) que aceitam trabalhar por menos.
Como ex-H1-B só tenho a dizer que os trabalhadores americanos estão recebendo de volta a tal globalização e “mercado livre” que seu governo tanto apregoa. Quando uma empresa, digamos, brasileira reclama que não consegue competir com produtos importados o governo americano só diz “sinto muito, você tem que se atualizar e ser mais competitivo no mercado”. Se o governo local sobretaxa a importação eles ameaçam com contra-taxações, choramingam e reclamam.
Coisa parecida aconteceu quando as montadoras de automóveis, lá pelos anos 70 e 80, se tocaram que era mais barato fazer carro fora dos EUA e zarparam. Não tinham como competir com as empresas japonesas que estavam arrasando com o mercado. O movimento acabou gerando ações de marketing do tipo “carro feito nos EUA” mas no meio tempo milhões de americanos ficaram sem emprego. Hoje o mercado americano tem carros da Ásia e Europa compedindo no mercado local.
Resumindo: bem-vindo ao mundo capitalista.
Pois é! Isso me lembrou uma entrevista com o então candidato à Presidência Ciro Gomes (votei nele) que respondendo à questão da inserção do Brasil na ALCA retrucou com a petulancia de sempre: “A negociação é simples, nós dizemos a eles que aceitamos o livre comércio se eles aceitarem a livre enpregabilidade, assim equilibramos a balança, eles geram desemprego aqui mas recebem os trabalhadores por lá.”