Copyleft
— Eu sou contra esse lance de direitos autorais sobre livros e outras peças “artísticas”.
— Mas e o autor? Como ele vai viver?
— Eu acho que dá pra você ganhar dinheiro com produtos e serviços derivados do livro que escreveu. Merchandising.
— Merchandising em livro?
— É… o livro mais famoso do mundo é de domínio público e mesmo assim há toda uma indústria de serviços e merchandising ao seu redor. Gera bilhões por ano. A empresa que detinha os direitos autorais liberou o uso, adaptação e tradução e continua no mercado há mais de mil anos. Já comprou até seu próprio país. Duvido que eles conseguiriam ter o livro mais famoso do mundo mantendo controle autoral restrito em cima.
— Ahn?
— A Bíblia, cara… a Bíblia… Já pensou se a Igreja processasse Gutemberg por pirataria quando ele usou a primeira impressora do mundo pra publicar a Bíblia?
Mas a Bíblia não é a palavra de Deus? Então por que os direitos autorais iriam para a Igreja? Aliás, me ocorre uma idéia agora: se Deus é nosso pai, e a Bíblia é a Sua palavra, então os direitos autorais deveriam ser partilhados entre nos, seus filhos. Quero a minha parte!
Boa a analogia de obra aberta rendendo merchandising, mas só vale lembrar que a Igreja não via com bons olhos as impressões da Biblia. Obviamente que não por causa dos direitos autorais, que não era um conceito conhecido na época, mas sim porque eles perdiam poder, pois poucos tinham acesso aos textos sagrados. E quando Lutero traduziu então para o alemão, daí sim a coisa ficou feia… Nem latim mais era necessário para se ler o livro! Escândalo!