Vai com as outras?

Numa pesquisa totalmente informal não consegui achar nenhum programador que ache que Java é a melhor plataforma para o desenvolvimento de websites. “Java é pesado”, “Java é complicado”, “Java é burocrático” e outros adjetivos mais. Eu sei que existe quem goste realmente de Java e que Java não é o capeta em forma de linguagem de programação. Mas às vezes me pergunto se tem tanta gente dizendo “vou estudar Java” ou “vou fazer curso de Java” simplesmente porque “é bom para o currículo”.

— Você sabe Java?

— Sei.

— Ooooh.

— Ooooooh!

É claro que eu estou exagerando, mas me pergunto o quanto esse blablabla todo sobre Java não é um motocontínuo. Quem contrata não sabe porque Java é bom — mas ouviram dizer que é bom — e quem programa vai atrás do Java por ser isso que os empregadores procuram. Numa empresa onde trabalhei os investidores (ou seja, pessoas não-técnicas) olhavam para o nosso produto (feito em outra linguagem) e olhavam com desdém.

— Mas a próxima versão vai ser em Java.

— Ooooh!

Um exemplo clássico é o sistema ArsDigita, feito em C++ e um monte de outras plataformas “não tradicionais para a web” (como o servidor web AOL Server) que funcionava muito bem, obrigado. Investidores chegaram e decidiram que para melhorar a imagem do produto no mercado era necessário reescrever tudo em Java. Tempos depois o ArsDigita foi pro saco e até hoje não saiu (não necessariamente por culpa do Java, mas por tentar mexer em todo um time que mesmo jogando feio estava ganhando).

Reforçando: eu não tenho nada contra o Java (e isso era pra ser um texto curto), só tenho contra as pessoas que acham que alguma coisa é o cálice sagrado só porque ouviu outra pessoa dizer que aquilo era o cálice sagrado. Em outras palavras: a síndrome do beijinho da Xuxa.


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 5 Feb 2003, 10:08, em Informática de vez em quando é bom.
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