O browser é meu!

Sabe aqueles sites chatos que mostram a mensagem “deve ser visualizado em 800 x 600, 16 milhões de cores, em Internet Explorer com Java”? Chatos, né? Mas tem gente que faz pior, achando que é sutil.

O Rafa acabou de me mandar pelo ICQ um site de uma grande empresa brasileira, feito por uma agência que se acha a rainha da cocada preta da Internet (é agência especializada em Internet, então deveria entender do negócio). Ao chegar no site este abre um popape em tela cheia que abre outro popape, este sim com o site propriamente dito. Este segundo popape, obviamente, de um tamanho específico que não pode ser mudado. As páginas também não funcionam direito no Mozilla, mas isso já era de se esperar. Vou no site da tal agência e vejo que eles anunciam o lançamento de um novo site de um cliente. Resultado idêntico: um popape com tamanho fixo. Devem se achar o máximo. Já até consigo imaginar o cliente babando: “Uau! Nosso site ocupa a tela toda do usuário, que demais!”

Vamos repetir até o pessoal entender: o browser é meu, não é seu. É como se eu sentasse no ônibus, abrisse um jornal, fosse tentar dobrar ao meio (pra facilitar a leitura sabe?) e o jornal não dobrasse. Se eu fosse reclamar com o jornal eles iam dizer “mas não foi assim que eu pensei em você ler o jornal” ou ainda “este jornal não foi desenhado para ser lido no ônibus, só na privada”. Não é porque o navegador te controle sobre a navegação que você vai abusar. Os jornais, para continuar no exemplo, fazem pesquisas para tentar entender como as pessoas lêem, não forçam nada. É por essas e outras que anúncio na página “da direita” é mais caro, por ser ali onde as pessoas olham primeiro, pelo movimento da leitura. Um jornal não sabe se você começa pela primeira página, pula pra Esportes e depois vai para os quadrinhos. Eles têm uma estatística, mas sabem que cada leitor é um caso (os canhotos gostam de ler de trás pra frente, por exemplo) e que não podem controlar o ato de leitura. A Internet, que deveria ser o meio de comunicação mais livre de todos, acaba sendo o mais restritivo. Quem cria para a Internet anda confundindo tecnologia com controle, em nome de uma liberdade criativa que só beneficia seu próprio ego, não o usuário final.

Se um jornal ou revista tentasse limitar a maneira com que as pessoas o lêem a reação imediata seria uma queda nas vendas daquele veículo. Na Internet todo mundo acha essa tomada do controle normal (afinal de contas nove entre dez sites assim fazem) e segue navegando pelo site.

O browser é meu, não seu. Estamos entendidos, senhores publicitários da web?

PS para os amantes dos popapes: graças aos gênios da publicidade (que descobriram que meter um popape na cara do usuário é a maneira mais inteligente de anunciar) muita gente está usando pop-up-killers. Então os seus queridos sites que custaram milhões de Reais tornam-se apenas páginas em branco com erros de Javascript. Bem feito.


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 3 Feb 2003, 22:02, em Pontocom.
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