Columbia

Pra mim o espaço sempre foi aquela coisa acima das guerras, das picuinhas e das nacionalidades. Inocência minha, claro. A conquista do espaço nasceu justamente na corrida do “nós contra eles” e há quem diga que o homem nunca chegou à Lua de verdade, que os americanos roubaram na corrida para motivar a população. Nós, países mais civilizados, só precisamos roubar uma copa do mundo, mas isso é digressão, estávamos falando do espaço… a tal da fronteira final.

Sábado acordei com a notícia do “sumiço” do Ônibus Espacial Columbia e por mais que a CNN ficasse repetindo e repetindo as mesmas imagens e informações eu não conseguia tirar os olhos da tela. Relevei o fato de que o primeiro astronauta israelense estava a bordo e que o embaixador de Israel na ONU usou sua entrevista para fazer propaganda da aliança militar Israel-EUA. Sete pessoas tinham morrido fazendo o que todo mundo em algum ponto da vida já pensou em fazer: ir ao espaço. Sete astronautas… e astronautas não têm nacionalidade, mesmo que eles insistam em usar a bandeira americana no braço. Eles estão (literalmente?) acima disso, estão lá representando todos os moleques que já deitaram no chão do quintal de noite olhando pra cima e imaginando “um dia quero ir lá”.

Como bem disse algum outro entrevistado, idas ao espaço não têm mais graça. O pouso e a decolagem dos ônibus espaciais americanos não são mais transmitidos ao vivo pelas grandes redes de TV, ninguém mais se interessa em ver aquilo — sinistramente semelhante ao episódio da Apollo 13, que precisou do “Houston we got a problem” para atrair a atenção do público. Nós não ligamos mais.

De repente todo o programa espacial pode ser cancelado por conta deste sério acidente. Então eu fico de luto não só pelos 7 astronautas mas também por todo o sonho de se ir ao espaço e entender o que se passa lá fora.

Sei lá… não sei muito o que dizer além de um palavrão qualquer. E daqui a pouco alguém vai aparecer aqui dizendo que o programa espacial americano é um desperdício de dinheiro e que eles deviam estar dando os bilhões de dólares aos pobres, então vou ficar por aqui… Se o mundo fosse tão simples assim…


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 3 Feb 2003, 13:31, em Vida atribulada.
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