Festão
Finalmente consegui quebrar a maldição de não ter uma virada do ano legal. Fomos a um show organizado pela rádio rock local no Centro de Convenções de Winnipeg. Só uma cidade como essa para conseguir realizar um evento tão tranquilo para os meus padrões de chatice. Imagine que só na praia de Copacabana ontem havia mais gente do que na cidade de Winnipeg inteira e dá para começar a entender. Dentro da política de don’t drink and drive a prefeitura (patrocinada por uma marca de cerveja) colocou ônibus de graça para todos os cantos da cidade saindo do próprio Centro de Convenções, passando por outros pontos de interesse da cidade, incluindo o Forks onde chegamos a cogitar passar a virada do ano mas que foi rapidamente descartado perante o frio com sensação térmica de -30°C. Se você não gosta de pegar ônibus ainda havia um sistema de motoristas-voluntários para levar os bebuns para casa de graça.
Pegamos o carro na esperança de estacionar no subsolo do próprio Centro de Convenções. Surpresa: estacionamento vazio. Todo mundo quer beber até cair no ano novo e resolveu usar táxis e os tais ônibus de graça. Só isso já garantiu 50% da minha felicidade na noite. A entrada no show foi tranquila. Mesas foram espalhadas dentro da espécie de ginásio com aqueles chapéus ridículos de ano novo e gente de toda espécie dançava pelo enorme salão nem um pouco lotado. No palco a banda local Sonic Bloom já tentava agitar a galera, mesmo não tendo muito jeito para a coisa. O som deles é legal, mas faltava “alguma coisa” para levantar os gatos pingados que estavam na frente do palco.
Quando eu digo “gente de toda espécie” eu não estou exagerando. Muitos caras de terno-e-gravata e garotas com vestidos “de casamento” mas um ou outro cara com um corte de cabelo moicano e até uma figura com presilhas-de-alpinista como brinco (o que deixava o lóbulo da orelha dele… bem… arrombado… Ache o capeta na foto do Danko Jones abaixo). E alguns casais-de-três pelos cantos. Acho que está sobrando mulher em Winnipeg…
A bebida era servida em quatro bares espalhados pela pista. Cerveja Cd$3.50, coquetéis a Cd$4.00 e Smirnoff Ice por Cd$ 4.50, preços compatíveis com as boites daqui. Uma diferença importante com a noite brasileira: água e suco de graça. Se você paga para entrar num lugar o mínimo que se espera é um copo d’água grátis. (lembre-se: aqui a água da torneira é potável)
Acaba a pausa e entra no palco a banda que eu estava esperando para ver. Danko Jones, rock como deve ser feito: bateria, baixo e guitarra. O líder Danko grita ao microfone letras sucintas que dizem coisas como Garota, eu não vejo a hora de a gente chegar em casa. Pensando bem, vamos parar aqui no acostamento mesmo ou Eu tenho um Cadillac branco, eu uso o banco de trás para te dar uns amassos enquanto deixo seu namorado mauricinho preso na mala. Alguns guitarristas chamam a guitarra de meu bem. Danko Jones chama de minha puta.
Pausa para uma bebida, troca de equipamento no palco e bate a meia-noite. Todo mundo se beija, alguma coisa acontece no palco mas eu não estou prestando tanta atenção assim. 2002 acabou e 2003 está começando bem.
Meia-noite-e-um entra no palco o sucesso local The Watchmen, um som completamente diferente de Danko Jones mas nem por isso ruim. “Parece o R.E.M., não?” — comenta a Anna ao meu lado. Com certeza os Watchmen bebem da fonte do R.E.M., mas também de toda a cena do rock não-pesado atual, de Radiohead até seus quase-charás Walkmen. Enquanto Danko Jones é cru e saído direto de uma garagem The Watchmen é produzido, com trocas de guitarra a cada música, drum-machines e um visual que passaria por clubber se não fosse a gaita do vocalista Danny Greaves. Até cover de Jimmy Cliff eles fazem, mas não tema… ficou legal. (por sinal o Sonic Bloom fez um cover-pesado dos Soggy Bottom Boys que ficou honesto) Danko Jones é para ouvir ao volante ou num amasso, Watchmen é para ouvir ao trabalhar, ler um livro ou escrever um texto para seu blog.
Fora um ou outro esbarrão normal nesse tipo de festa a noite foi sem nenhuma aporrinhação e, pasmo, divertida! Depois de dois anos vendo o ano passar na frente da TV e outras tentativas frustradas de diversão no dia 31 posso dizer que voltei para casa pronto para um feliz 2003.
Estive por aqui outras vezes e nunca comentei nada.
Outro dia até “piratiei” um post.(com a devida citação da fonte é claro - espero que não se importe?)Desta vez aproveito pra deixar um FELIZ 2003! Moro no Rio Grande do Sul e aqui também faz frio mas nem perto das temperaturas daí.
[] Diogo
Cara. Essa foto “Roquenrou!” é impagável. Merecia prêmio.
( )s
Que bom!!!!! Até que enfim!!!! Se você viesse passar aqui conosco também iria adorar. Em Camboinhas tem os fogos de lá e de Copacabana, boa comida, muito espaço, praia limpa e a família. Mais do que isso, só dois disso!!!!
Velhice é uma M !
O cara fica chato, ranzinza, reclama d tudo… idade é “flórida”, meu amigo.
Abracos e parabens pelo novo visual do Blog.