O computador na sala de aula

Meu início de carreira como analista de sistemas foi na área de informática educativa, no falecido (e falido) grupo da IBM inicialmente chamado de Projeto Horizonte, daí meu grande interesse por essa área que ainda dá seus primeiros passos mas promete.

Eis que na minha ronda diária pelo Slashdot vejo um artigo da BBC sobre pesquisas (que não são patrocinadas por empresas de software educacional, é claro) apontando que os computadores não têm ajudado em nada na sala de aula e, em alguns casos, as notas dos alunos até pioraram. Ainda no /. é levantada a bola de que talvez computadores na sala de aula sejam tão dispensáveis quanto filmes, como se tentou fazer na primeira metade do Século XX.

Um dos motivos apresentado para o “fracasso” dos computadores é meio que simples: os pedagogos ainda não conseguiram descobrir como usar computadores no auxílio ao estudo. Até o momento o computador é usado basicamente como “uma grande biblioteca”. Nos “meus tempos” de Projeto Horizonte ainda havia o problema de que normalmente os alunos entendiam mais de informática do que os professores.

Muita gente boa está colocando a cabeça para pensar sobre informática educativa, mas talvez o grande problema esteja no sistema educacional em si. Os projetos mais bem-sucedidos de informática-na-escola que vi (como o do CEDI, em Petrópolis) nada mais fazem do que incentivar os alunos a pensar. O computador é a ferramenta que, antes de mais nada, vai atrair aquele aluno não muito chegado a um estudo. Depois vai oferecer ferramentas de comunicação e autoria para esse aluno se expressar, com a ajuda de professores (que ganharam o codinome de “facilitadores”). Além disso o mundo digital é tão livre que os professores temem perder o controle sobre os alunos. Se não há um professor por perto podem surgir coisas como os blogs-asneira que já citei por aqui.

Mas como a filosofia educacional vigente na maioria das escolas brasileiras (e no mundo) ainda é a do “decoreba” não há muito que o computador possa fazer. Qual a diferença entre uma tabela periódica na tela e uma no papel?

O segredo, que aparentemente ainda não descobriram, é colocar a molecada pra pensar. O resto, como diram os jogadores de futebol, é consequência.


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 30 Dec 2002, 11:29, em Informática de vez em quando é bom.

Um comentário

  1. Paulo Albuquerque

    Acho que não é só isso. São pouquíssimos os locais com computador, e o acesso é complicado. Assim acho que não há massa de dados para melhorar nada. E acredito também que as crianças não tem tido acesso constante. Deveria ter no MÍNIMO umas duas horas por semana em dias diferentes para dar resultados (eu imagino).

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