Os problemas do jornalismo instantâneo

Livro expõe paradoxos e fragilidades da grande imprensa surgidos com a produção cada vez mais rápida de notícias. A noção capitalista da notícia como produto de consumo não é uma boa idéia.

(…)

E é justamente essa idéia capitalista da notícia como produto de consumo que é confrontada por Sylvia Moretzsohn com o “ideal iluminista” de que a imprensa serve, acima de tudo, para dizer a verdade à população, prestando um serviço público e contribuindo para a construção de uma consciência crítica da realidade. Nessa confrontação de idéias, do que o jornalismo deveria ser, dentro de uma visão de comprometimento social, e o que realmente ele é hoje, obedecendo às ordens do mercado, é que surgem os diversos paradoxos da “sociedade da informação” moderna.

Um desses paradoxos é: como dizer a verdade, somente a verdade, dentro de um contexto onde a velocidade é o que mais importa? Porque é justamente essa pressa em dar a notícia (que às vezes pouca importância real tem) antes dos concorrentes que faz com que o público acabe pagando um certo preço pela rapidez, que é o recebimento de informações mal-apuradas, mal-escritas, quando não simplesmente inventadas. Paga-se, assim, o preço com a própria ignorância.

Mais no Webinsider. [ via Todosnoz ]

Além disso vale uma lida no já polêmico texto do Tutty Vasques sobre o excesso de manchetes inúteis dos jornais on-line hoje em dia (que usa RSS sabe), um dos principais motivos de o meu “jornal” favorito (e homepage em casa) ser o Google News.


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 19 Nov 2002, 15:44, em Imprensa minha.

6 Comentários

  1. José Antonio Meira da Rocha

    Essa idéia de imprensa “servidora da sociedade” é difundida pela classe média, que é a classe que está assumindo o poder em nossa sociedade (agora, pela informação, depois de fracassar na tomada pela força). As idéias da classe média precisam ser difundidas como se fossem idéias de toda a sociedade. Isto é ideologia, no sentido dadopor Marilena Chauí.

  2. Cassiano

    o problema é que o gosto do jornalismo instantaneo eh artificial e eu tbm morro de medo dos transgenicos……
    mas como fala o pessoal da fraude SEMPRE de informacoes erradas pra jornalistas!!!

  3. dawalibi

    Hoje no UOL: “Sabia que as depiladoras brasileiras mudaram a vida de Gwyneth Poltrow?”
    No IG: “Princesa Anne multada por ataque de cão”.
    A pergunta que não quer calar: o que é que eu tenho a ver com isso?

  4. José Antonio Meira da Rocha

    Ahá! Há uma grande solução pra isto: personalização de conteúdo! O velho clipping. Você entre num site apropriado (eu tinha o link em algum lugar…), escolhe as palavras-chave ou os assuntos que lhe interessam, e o site vai buscar e apresentar só as notícias correspondentes. Tchã-rããã!

  5. caio

    Um desses paradoxos é: como dizer a verdade, somente a verdade, dentro de um contexto onde a velocidade é o que mais importa?

    é foda… o que mais me decepciona nisso tudo é que o jornalista não sabe mais apurar… quando muito, o faz com os vizinhos.

    a pressa é inimiga da perfeiçào e a preguiça, é irmã gêmea da ignorância.

  6. josé Antonio Meira da Rocha

    Achei o link: http://www.newsisfree.com/
    Está de saco cheio com as bobagens da imprensa mainstream? Não agüenta mais notícias idiotas? Seus problemas acabaram! Crie seu próprio portal de notícias!

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