Tremendo teatrinho tribal

“Tribalistas” é um prato cheio para quem confunde pose com atitude, invencionice com invenção, ecletismo com mistura. Separados, Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte têm méritos mais do que evidentes e cacoetes irritantes. Juntos, prevalecem os últimos nas 13 faixas que, compostas e executadas em conjunto, dão uma boa idéia da milenar arte de dizer/cantar o óbvio com ares de transcendência. Tudo em nome da alegria, tudo em nome do amor e daquela tal mudernidade caô.

Entendeu ou quer que eu desenhe?

Teve gente que não entendeu minha implicância com os Tribalistas. Eu explico mais um pouquinho. Um disco tem que ser bom assim:

— Escuta esse disco.

— De quem é?

— Não interessa. É do João, da Maria e do Zé.

Música não tem pedigree.


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 11 Nov 2002, 16:28, em Som na caixa, mané.

6 Comentários

  1. Marcelus.

    Cris, mas esse é justamente o pior dos defeitos da música feita no Brasil, principalmente nos dias de hoje: o referencialismo, a indulgência e a auto-indulgência.

    É uma teia de “referências”, “parcerias”, “versões de”, citações, homenagens e etceteras que no fim sempre acabam remetendo à geração “MPB 68″ — Caetano, Gil, e quetais — que está na parada há quase 40 anos.

    E a “geração atual” nada mais faz do que repetir esse hábitos.

  2. Lavi

    Esse Tribalistas mereceu um simples comentário: “não vi, não ouvi e não gostei”.

    É pretensão demais para minha cabecinha!

  3. Tuz

    Também penso assim, não tem nada de novo

  4. Ale Ber

    Fiquei bem irritada com esse artigo no NoMinimo. Gosto das músicas porque gosto, não pq são dos tribalistas ou seja lá quem for… uai.

    Mereceu até comentário irritado no meu bloguinho. Odeio gente intelectualóide que só acha legal o que tem cara de estranho, bizarro ou inteligente e cool.

  5. Cristiano Dias

    Ale, você gostou e é um direito seu, bota a boca no trombone mesmo.

    O que eu implico é justamente quando os tais “gênios” compões coisas estranhas e bizarras e todo mundo aplaude. Meu exemplo é sempre a música dos Titãs (nem sei se foi composta pelo Chatunes, mas como ele era o letrista dos caras…) que tinha como refrão “Amor, eu quero te ver cagar”. Chegou a tocar no rádio e tudo. Se eu faço uma música assim sou taxado de lixo, mas como o cara é “gênio da nova poesia brasileira” o polvo aplaude.

  6. Ale Ber

    Cris, concordo com isso também. Como já disse odeioooo intelectualóide metido a besta. Mas acho que se pode gostar da música simplesmente pela melodia, a letra e só. E não a pretensão do cara se achar gênio pq a fez ou se autodenominou tribalista. ah, sei lá…

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