A Flórida brasileira?

APURAÇÃO DOS VOTOS: No meio do caminho tinha uma queda

Outro baluarte do jornalismo, Carlos Chagas, em sua coluna da Tribuna da Imprensa de 10/10, alerta: tem coisa cheirando mal por aí. O PT cresceu em todo o país, elegendo a maior bancada na Câmara dos Deputados, suplantando PFL, PMDB e PSDB, e no Senado Federal acaba de dobrar o número de cadeiras. Dos principais institutos de pesquisa, um concluiu, na boca-de-urna, que Lula teria 50% dos votos válidos. Outro falou em 49%, um terceiro em 48%. Por que, inesperadamente, os índices de votação em Lula caíram, enquanto os do PT nos outros níveis subiram, se era justamente Lula quem puxava a fila e liderava as demais campanhas? “Mas como, ainda assim, sua diferença sobre Serra foi enorme, pouca gente quer correr o risco de enfrentar questão tão explosiva quanto a da possibilidade de ter havido fraude para retirar do candidato aqueles porcentuais que o separaram da vitória”, escreveu Chagas.

Em outras palavras…

Com as devidas ressalvas quanto às pesquisas, os resultados eletrônicos estão sendo surpreendentemente distintos dos resultados das pesquisas de boca de urna, que costumam ser muito precisas. Estas davam 49% para Lula, com erro estimado de 1%, e os resultados eletrônicos deram 46.4%. Para governador de São Paulo, a boca de urna apontava 34% para Alkmin contra 33% para Genoino, com 2% de erro estimado, e as urnas eletrônicas apontam 38% contra 32%. Nos dois casos, a diferença a favor do governo é três vezes o erro estimado, ou seja, seis vezes o desvio padrão! Se isto não chega a ser uma impossibilidade estatística, como o caso antes comentado, é extremamente improvável.


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 16 Oct 2002, 10:07, em Eleições.

3 Comentários

  1. Renata

    ehhhh talvez isso explique o fato do candidato do PT pra governador na Bahia nas pesquisas apresentar 18% das intencoes de voto e nas urnas levar acima de 30% =)

  2. Daniel

    Porque não voltar para o voto impresso?

  3. Gorgo

    Tenho por mim que as pesquisas eleitorais servem, quando muito, para medir o termômetro da candidatura, ou seja, se ela está crescendo ou diminuindo.

    Quanto ao artigo em si, a pesquisa Data Folha de 05/10 apontava Lula com 48% [decrescente], variando, pois, entre 46% e 50%. O resultado do TSE [46,4% p/ Lula] ficou, pois, dentro da margem de erro. Talvez por isso o alarme do brilhante Carlos Chagas não foi levado adiante.

    Mas, tudo bem. Foi só um adiamento. Ademais, o segundo turno é bom para o Brasil pois acomoda as forças políticas.

    Fraternal abraço.

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