Mais Rosinha Sim
Tem gente por aí dizendo que a solução é des-fundir a Guanabara do Rio de Janeiro. Eu não vou nem entrar no papo do separatismo elitista, ou de que não estão aceitando o voto democrático ou na decadência do Rio. Só vou falar que a Rosinha também ganhou nas 9.979 seções do município do Rio de Janeiro, informações via DivNet.
Ou será que vão dizer que devia fazer um estado só com os bairros “do lado de lá do Sumaré”, aqueles que beiram o mar ou a Lagoa?
Então tá. (eu achava que desfusão da Guanabara era só coisa de niteroiense recalcado, mas parece que não)
Aqui no Canadá, como todo mundo deve saber, também rola esse papo de se separar do resto por não concordar com o andar das coisas desde muito tempo. Mas é só olhar como antigamente se alguém falava em Canadá todo mundo automaticamente pensava em “Montreal/Francês” agora é justamente o contrário. Nessa bobeira de querer espernear pedindo seu “lugar de direito no cenário nacional” ao invés de resolver seus problemas espantou as empresas e agora está virando só um ponto turístico, quando já foi a maior cidade do país.
Niteroense não é recalcado Cris.
A gente é muito paciente de aguentar estoicamente, cariocas dizendo que a melhor coisa de Niterói é a vista do Rio. :))
Não é recalque porque nenhum Niteroense de verdade, teve vontade, alguma vez de ser do Rio de Janeiro. O que não foi legal na Fusão pra nenhum de nós, foi a imposição, a falta de curiosidade ao menos, de quem fez essa palhaçada, em saber se era do agrado da população.
Ela foi imposta, ela descaracterizou dois Estados, inclusive nem era necessária. Está todo mundo se pegando nesse ponto de recalque e elitismo e desde o começo dessa discussão, ou melhor, a raiz dessa questão, não tem nada a ver com isso. Quem entende a proposta por esse lado é quem está sendo preconceituoso.
Quem fala em separatismo, elitismo, esnobismo, lagoísmo, não entendeu nada.
Nem com essa tremenda dica de que, apesar dela ter vencido no Rio de Janeiro inteiro, o assunto desfusão foi levantado, não percebeu que não é por aí. Mas se é esse o ponto que passa a ser o argumento final, Rosinha ganhou sim, mas proporcionalmente, ela ganhou muito mais e avassaladoramente no resto do resto do Estado Do Rio, do que na área do que antes era chamado de Guanabara. Penso que se foi levantada essa questão e causou toda essa mobilização em fluminenses e cariocas, há que se pensar melhor e mais seriamente a respeito, sem ficar tanto na superficie dos ismos. Eu é claro, sou a favor do retorno ao estado original dos Estados. Sou a favor de um plebsicito. Não vou perder meu sono, nem tampouco me sentir melhor ou pior ser humano por ser daqui ou de lá; no final das contas, o que vale pra mim de verdade, é que eu vivo no planeta Terra. Mas se houver algo que eu possa fazer a respeito desse assunto, estou aqui para ajudar.
É isso. Foi assim que eu entendi a queixa da Cora e a adesão do Cremilson, que deu continuidade às discussões de forma repeitosa às ideias e foi muito pouco imitado, se voce quer saber.:))
Talvez eu esteja com uma visão mais amorosa do que o necessário, talvez precise de uma visão mais objetiva para tratar esse tipo de questão…Mas cada um contribui com seu mundo. Eu sou de Peixes e acho que voce entende, ou não?
Beijos, Angela.
Bom, não seja por isso, eu também sou de peixes…
Eu só acho que enquanto o mundo todo fala em unificação (olha o ótimo exemplo da Europa aí) o pessoal vem falar de separação e “toma que a Rosinha é tua”.
Podem me chamar de inocente e bobinho, mas na minha cabeça a Guanabara só existiu por uma tecnicalidade, que foi o fato de a cidade do Rio ser Distrito Federal por vários anos. Afinal de contas o estado se chamava Rio de Janeiro mas a cidade ficava em outro estado? Confusão.
É claro que os problemas do interior são diferentes dos problemas da capital. É por isso que são interior e capital. Mas a baixada ficaria em que estado? Além do mais se o Rio se separa do resto do estado o que impediria São Paulo de querer fazer o mesmo?
Sei lá… que se faça o plebscito. Eu só peço que todo mundo pense antes de apoiar indiscriminadamente para agradar.
Pergunta: se tiver plebscito o estado inteiro vota? Duvido muito, mas acho que deveria ser assim… Afinal de contas o estado do Rio estaria perdendo todo o dinheiro de impostos da Guanabara. Mas lembro que no plebscito da Barra só quem votou foi quem morava lá…
Sei lá Cris, pra te responder eu precisaria estudar História.
mas com a sua integridade preservada. Um dia chegou alguém e disse vocês não são mais.
São Paulo sempre foi São Paulo, não? Penso que a Baixada era parte da Guanabara. Parece que o que ficou entendido é que esse levante era pra se livrar de um problema, eu não entendi assim.
O que eu me lembro era que Niterói era a capital de Estado do Rio e Rio de Janeiro era capital da Guanabara. Éramos cidades irmãs integradas geograficamente com algumas implicâncias naturais e culturais, implicâncias próprias da diferença
E tanto cariocas como fluminenses tiveram que se fundir numa coisa só.
E pelo visto muitos não se adequaram. E isso foi muito opressivo mesmo e transformou o que eram diferenças naturais, brigas de irmãos, em disputa e crítica. Chato.
As questões econômicas, financeiras, políticas, devem ser relevantes mas o que fica pra mim é sempre o impacto no humano e as questões emocionais. Era todo mundo mais feliz como Guanabara e Estado do Rio. Mais idôneo.
Agora com certeza plebiscito, só com todo mundo, né? senão não vale.
Eu entendo o que você diz a respeito da Europa, de todo mundo se integrar, e não é força de expressão quando digo que eu me sinto mais habitante do planeta Terra do que qualquer outra coisa; mas, no caso de Guanabara e Estado do Rio, penso que é mais uma questão de separar para unir.
Utopias…A gente pisciana já vem equipada de fábrica com libertê, fraternitê, egalitê:) Você como pisciano também não se pega de repente meio fora de esquadro não?
Beijos. Ângela.
Eu acho que separar não adianta nada, só isso. O Brasil é grande, precisa se organizar nas famosas unidades da federação, mas é só isso. Não dá para o Brasil ser um “estadão só de meu Deus”.
O que eu penso é o seguinte… Digamos que separe. Aí o governador da Guanabara (César Maia?) vai dizer que o problema da criminalidade são os traficantes do estado do Rio. Vai mandar a polícia da Rosinha catar os bandidos. Vai por aí, entendeu? Área metropolitana. Baixada não é Guanabara, ia ficar de fora.
Hoje em dia mesmo é assim. Quando se fala em criminalidade no Rio o pessoal dos outros estados meio que vira e fala “antes eles do que eu”, só que o problema é nacional, mais forte no Rio e SP, mas presente em todos os lugares. Se a coisa sair do controle no Rio se espalha rapidinho pelo país todo, mas a curto prazo o pessoal só fala “tô nem aí” e eu não tiro a razão.
Aí daqui a pouco vamos estar falando em colocar barreiras rodoviárias na Dutra, essas coisas.
Caro Cris,
Sua visão do problema não está bem clara. Vão aqui alguns dados:
Economicamente: quem perde é o estado do Rio, eliminando substancial perda de arrecadação com os Royalties do petróleo. Nesse sentido, o estado do Rio com uma densidade demografica menor, seria amplamente beneficiado.
Elitismo: É falácia. Qual o grau de elitismo seria o contido na iniciatica de uma cidade que, ao retornar a condição de estado, traria em seu território 65% das comunidades carentes do atual estado do Rio de janeiro? Os limites do Estado da Guanabara são muito maiores do que a zona sul que você (preconceituosamente?) elegeu prematuramente sendo estes tais limites?
Política: o que a fusão fez foi - basicamente - roubar identidade política de dois estados num penada só, diminuindo a representatividade de ambos no congresso nacional e conseqüentemente a resistência ao regime militar que impôs tal ato. Ocorre que nees interim, surge um vácuo político que inibe o surgimento de lideranças efetivas em cada um dos estados, criando a oportunidade do populismo paternalista (dou o peixe mas não ensino a pescar). Perdem, novamente, os dois estados.
Desfusão: não sei se é possível ou não. Nosso objetivo e desengasgar esse maldito espinho, imposição arbitraria da ditadura, e - assim como foi consultado o povo, na oportunidade da unificação da Europa - questionar cariocas e fluminenses sobre a discussão em si e sua validade. Não há - apesar de ter sido sua eleição o catalalisador - nenhum intuito golpista para com Rosinha ou Garotinho. Há, isso sim, a vontade de terminar de vez por todas, com essa discussão (que plea primeira vez assume maiores proporções, por conta da internet), mas que sempre existiu.
Tudo bem, Cremílson… Eu sou contra e ponto final. Mas como já andaram dizendo por aí eu vou calar a minha boca, afinal de contas eu moro no Canadá. (um país que vive com a sombra separatista há anos, com direito a atentado terrorista, sequestro e morte de membro do governo e tudo)
Só queria dizer que, obviamente, eu não sugeri que a zona sul seja o novo Estado da Guanabara. Só levantei a bola de que já que o problema é a separação dos “problemas deles” dos “nossos problemas” logo logo ia aparecer alguém dizendo que só a zona sul devia ser estado.
Mas beleza… Dei o meu recado de que eu acho que o Rio de Janeiro faliu e as pessoas estão discutindo o sexo dos anjos ou a espinha do peixe. De repente o motivo do buraco em que se encontra o Rio é o fato de que o governador da Tijuca é o mesmo governador de Japeri e não o fato de que desde que se tem eleições democráticas no Brasil só se elege (para prefeito e governador, na capital e no interior) gente populista. De Brizola a Zito, de Garotinho a César Maia.
Mas deixa eu voltar pro meu iglu…
Pois é, você atirou no elefante e acertou a formiga…
A eleiçã de populistas é a verdadeira razão da falência. Só que na minha ótica, esses populista só surgiram por conta do vácuo político criado pela ditadura e seus atos.
Passar a limpo quaisquer desses atos é nossa obrigação ainda que tardia. Lembre-se, só queremos trazer á discussão esses temas.
A referência que fiz ao fato de ter se colocado Zona Sul como Guanabara se deve ao fato de - principalmente por mau entendido - se conceber esta idéia como elitista e bairrista. Não é. afeta tanto fluminenses quanto cariocas.
A solução do impasse - e essa é a verdadeira pedra de toque dessa história - é a representatividade política.
Seja pela demarcação novamente do estado da Guanabara, seja pela rediscussão do sistema eleitoral(voto distrital, unitário e misto).
O importante é discutir. Calar e deiuxar passar não é solução.