Não é só no Brasil que se destrói a língua
Obviamente não é só no Brasil que se destrói a língua por reflexo das conversas online. O NYTimes conta a história da professora que tem que explicar aos seus alunos que u, r, ur, b4, wuz, cuz e 2 não fazem parte da língua inglesa.
When she asked her students how many of them used shortcuts like these in their writing, Ms. Harding said, she was not surprised when most of them raised their hands. This, after all, is their online lingua franca: English adapted for the spitfire conversational style of Internet instant messaging.
“Kids should know the difference,” said Ms. Harding, who decided to address this issue head-on this year. “They should know where to draw the line between formal writing and conversational writing.”
Treino é treino, jogo é jogo. IM é IM, redação de escola é redação de escola, ora bolas. Eu não falo com meus amigos da mesma maneira que escrevo no blog, muito menos em textos profissionais. Consequentemente eu não “falo” no ICQ da mesma maneira que escrevo aqui.
Em tempo… minha mãe é mais l337 do que eu. Ontem respondi uma pergunta para ela (via AIM) e recebi como resposta: 10Q (thank you).
É… I 0wnz j00. H4×0r, l8m3r.
Só queria dizer que adicionei o seu blog no meu. Se tiver algo contra me diga que eu tiro.
w2u10, 3row! w0obq?
Cristiano, voce sabe que nao se usa esse tipo de linguagem em diversas circunstancias porque quando foi alfabetizado isso nao existia. O problema e que as criancas estao aprendendo a ler e ao mesmo tempo usam esta comunicacao, portanto nao sabem discernir…os IMs da vida apareceram para a maioria das pessoas depois que elas ja estavam no segundo grau ou mesmo na faculdade, entao voce ja sabe muito bem que aquilo e so uma linguagem usada na internet. As criancas, nao…
Luciana… esse seu raciocínio até faz sentido, mas tem um detalhe que eu citei no meu texto. Quando eu nasci não existia IM, mas existia língua falada e língua escrita.
Eu não chegava na escola e fala. “Bom, dia professora, como a senhora está hoje? Venho por meio deste diálogo desejar que tenha um bom dia.” Eu falava “Oi tia, tudo bom? E aí?” O que acontece hoje em dia é a entrada de uma “terceira” forma de se comunicar, o IM. O que está acontecendo que é estão misturando por preguiça e até ignorância (no sentido “ignorar” da palavra) e usando como desculpa “ah, a língua é viva e sempre em mudança”.
Analogia NÊRD:
A utilização de funções na programação é boa ou ruim? E o conceito de herança na programação orientada a objetos?
O que inspirou a criação destes conceitos? Poupar tempo de programação utilizando códigos já utilizados anteriormente (de um ponto de vista superficial. Obviamente a programação OO possui muito mais benefícios que este).
A utilização destes recursos de “encurtar” a escrita possui a mesma finalidade, e parte do pressuposto que o leitor conhece o “código original”. Eu duvido que exista alguém no mundo que ache que “before” se escreve “b4″.
Este é um recurso extremamente prático quando o objetivo é digitar palavras com performance de conversa (chat) e eu acho que deve ser amplamente divulgado e utilizado.
Não duvido que isso possa, no futuro, ser incorporado à língua com o nome de “termos condensadores” ou algo semelhante.
Explicação utilizando a cultura oriental:
A língua japonesa, milenar, oficializou a condensação de palavras.
Ela possui 3 alfabetos:
O alfabeto padrão, que possui dois símbolos para a representação da mesma sílaba ou vogal (um para palavras japonesas e outro para estrangeiras) e o Kandi (ou Kandhi, Khandi…sei lá) onde cada caracter pode representar palavras e até mesmo frases. As crianças aprendem o alfabeto padrão, sabem escrever o vocabulário neste alfabeto e, como complemento aos estudos, aprendem os caracteres condensadores. Este aprendizado aumenta no decorrer da vida do cara.
Conclusão: Não há nada de errado em se condensar caracteres.
Obs: Isso dá uma boa tese de doutorado : Japonês é uma linguagem orientada a objetos?
Sim, eu bebi a noite inteira…
Não é uma questão de preguiça, uma criança que aprende a ler e ao mesmo tempo já usa internet e IMs da vida, mistura tudo. Porque aquilo é tão natural para ela como o que aprendeu na escolinha. Quem tem preguiça é quem sabe distinguir uma coisa da outra e usa porque tá a fim. Em 98 eu estive fazendo uma pesquisa em uma escola no Rio que as crianças desde 5 anos já usavam o computador, e o micro era usado no processo de alfabetização. Explique para essas cabecinhas que o que elas estão usando para falar com os amiguinhos não pode ser usado fora dali e ela vai te responder com os milhões de por ques naturais da idade. E você pode até responder, mas na cabecinha delas, não vai convencer.
Pedro, se você for ver que existem alguns kanjis padões, dos quais outros kanjis “herdam” este traço, teríamos uma característica de OO né?
Fora isso acho que japonês não seria uma linguagem orientada a objetos já que um mesmo caracter pode ser a condensação de n outros caracteres, ou seja, ele pode ter uma leitura diferente dependendo do contexto.
Ah outra, o Kanji é Chinês, e na China só existem Kanjis. Então a condensação surgiu antes
Conclusão: não há nada de errado em descondensar hahaha
Ah, churrascão na quinta-feira comanda!
Do alto dos meus 50 aninhos, declaro que não sou fã nem uso mnemônicos em minha comunicação.
Agora, isso não é novidade. Desde menino vejo pára-choques de caminhões com a frase: “Estou rezando 1/3 para conseguir 1/2 de te levar para 1/4.
E por aí afora. Muita gente acredita que certas coisas só surgiram com Internet. Tudo já estava aí. Apenas se digitalizou…
Traduz aí, ô!
Obrigado por colocar link para o meu site. Assim vou para o Toplinks!!!!