Vamos combinar o seguinte…

OK, façamos assim. Eu não falo mais de Brasil. Afinal de contas eu não moro aí, não tenho moral pra falar. Aparentemente todo mundo acha normal ter que pagar rombo de fundo de pensão dos outros enquanto recebe R$ 100 por mês de aposentadoria. Como disseram em um comentário aí “cada um por si e Deus por todos, bando de gentalha”.

É até engraçado. Eu não pago imposto no Brasil, pago no Canadá. A tal conta de R$ 8,5 bilhões não vai cair no meu bolso mas aqui estou eu esperneando enquanto todo mundo acha normal ou me chama de invejoso por não ser aposentado de estatal (com direito a insalubridade e tudo, mesmo tendo trabalhado atrás de uma mesa a vida toda).

Como todo mundo parece estar satisfeito com aburdos como esse eu tiro meu time de campo. Só volto a falar de Brasil na Copa de 2006. De agora em diante só vou falar de coisas tipo “já abraçou seu filho hoje?” ou qualquer coisa “a vida é bela” que me mandarem em .ppt.


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 12 Sep 2002, 09:38, em Brasil-sil-sil.

3 Comentários

  1. Carlos Henrique

    Caro Cris,

    Só pra constar, você não é o único que se chateia com isso. Eu também acho um absurdo esse tipo de coisa.

    Em tempo: moro no Brasil.

    Ja paguei pela incompetência dos bancos (proex), da SUDENE, estou pagando pela incompetência da ASMAE, e agora serei um dos pagadores pela incompetência da Petros…

  2. Alexandre

    Mas no fim. Estamos pagando pela nossa própria incompetência e omissão. E a de nossos pais.

    Minha mãe ganha uma aposentadoria de R$ 300 por conta da morte do meu pai, 20 anos atrás. Até dois anos atrás, pouco antes de ela infartar, ela trabalhava por um salário miserável, enquanto uma conhecida minha, com 30 e poucos anos, não trabalha nem procura emprego, nem se casa, claro, porque ganha uma pensão de uns R$ 4 mil!!!! Ah sim. A mãe dela ganha mais uns R$ 6 mil. Céus!! R$ 10 milhas por mês. Quem ganha isso nesse país?

    Hoje, eu complemento as despesas da minha mãe porque tenho um emprego, sabe-se lá por quanto tempo, que me permite fazer isso.

    Vocês todos me desculpem, mas eu acho que a solução não é dar R$ 4 mil pra minha mãe também. É chegar em um número razoável para todos. E com certeza, uma mulher de classe média, que estudou, tem condições de trabalhar e deixar ao menos parte desse dinheiro para alguém que precise mais.

    O grande problema é justamente essa justificativa das pessoas: “cada caso é um caso, não vamos generalizar.” É uma ótima saída para conseguir privilégios.

    O problema é que o “meu caso” é sempre mais importante do que o seu. Eu tenho sempre uma boa justificativa pra mamar nas tetas dos outros.

    É por isso que mulher de policial ganha uma merreca de pensão e mulher de militar ganha mais (menos hoje em dia, mas ainda assim mais). Ora, diabos. Se o Brasil não entre em uma guerra há quase 50 anos, porque diabos os militares têm pensões tão melhores do que os policiais, que morrem todos os dias em confrontos com policiais?

    Simples. Porque têm mais poder, porque estão mais entranhados no poder. E porque o caso deles, como o meu, ou o seu, “é muito especial”.

  3. tuninha

    é complicado isso… minha vó ganha uma pensão até boa(uns 3mil) teoricamente. mas deve ser exatino o que ela gasta de remédio e médico todo mês, porque ela tem 3 safenas, um fêmur quebrado e depressão crônica. cada caso é separado e diferente, eu sei, mas é meio complicado todo mundo pagar pra uns poucos privilegiados. é tão alucinado que, enquanto no resto do mundo todo mundo se preocupa com a falta de gente pra sustentar o sistema pprevidenciário daqui a uns anos, aqui ninguém nem repara….

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