Tá todo mundo comentando o que o Zamorim falou sobre a dependência das máquinas, então vou dar meu pitaco…
O grande perigo das máquinas dominarem o mundo não tem nada a ver com os computadores inteligentes, mas com o emburrecimento dos técnicos, que ficam cada vez mais dependentes dos diagnósticos apresentados por “equipamentos modernos” e perdem a capacidade de perceber os problemas por conta própria. Pior, perdem a capacidade criativa de inventar soluções para os problemas que não acontecem “conforme o manual”. Tsc, tsc…
Não vamos botar a culpa em quem não tem. Conhece aquele papo de que “se ele fosse bom não trabalhava aqui”?
Eu já trabalhei em help-desk. Como tudo no mundo a coisa se resume a uma palavra: lucro. Você, “dono” do help-desk (ou da oficina mecânica, ou da autorizada Brastemp) pode contratar o carinha que fez faculdade, que sabe tudo e mais um pouco de informática, que vai entender o seu problema ao invés de seguir receita de bolo, mas quanto vai custar o salário desse cara? Mais do que você pode pagar. Além disso ninguém faz faculdade para ser atendente de help-desk.
Uma vez eu tive um problema na minha conexão com o UOL. Conectava bonitinho e depois de alguns minutos ficava “mudo”, nada trafegava. Tentei ver a rede, mexi daqui e dali, nada. Liguei para o help-desk dos caras.
“Senhor, vamos entrar na configuração do acesso dial-up e ver suas configurações…”
“Não, olha só… eu já fiz isso. Eu consigo dar PING no meu gateway, mas não consigo chegar no DNS, eu acho que tem alguma coisa errada aí no lado de vocês, pode verificar?” - claro que o cara não entendeu nada, mas eu também tenho que me divertir.
É claro que o atendente não entende nada de rede, ele nem sabe o que é TCP/IP. Se ele soubesse não estava trabalhando ali, ganhando cem real por mês. Seria, no mínimo, supervisor dos atendentes. O problema acontece quando os atentendes/mecânicos/técnicos acham que você é o burro e se negam a passar o problema para o chamado “segundo nível”. É mais fácil dizer que está tudo funcionando, você que é cri-cri ou que vai ter que jogar tudo fora e comprar novo ou, no meu caso com o UOL, que a minha linha telefônica não era compatível com o serviço, o que me fez cancelar a assinatura do provedor.
Receita - custo = lucro. É sempre assim.