Não consigo parar

Droga, isso aqui é muito bom, não consigo parar de ler. Por favor, não vá sair por aí achando que é verdade, OK, blog também pode ser ficção. Mas e daí? É muito bom. Mas por favor, leia desde o início.

Rá. Já vi esse filme. O Ataque dos Hormônios. Ninguém mais agüenta e mesmo assim é reprisado todo mês. Parece TV a cabo — quando pagam a conta, claro.
Depois do súbito ataque de fúria e do longo período de indiferença — todo o episódio do seriado, a novela e o telejornal –, ela começou a chorar. Conheço esse choro. Ela tenta falar enquanto chora e eu não entendo muita coisa. O tom da voz sobe uma oitava e depois desce duas. É engraçado, mas eu fico firme, não rio. Não sou louco. Dessa vez ainda consegui pegar algumas palavras esparsas. Alguma coisa sobre trocá-la pela Renata. Era o que me faltava, trocar minha vidinha boa por aquela mulher insuportável da voz esganiçada. Mas não discuto quando ela está assim. É parte do segredo. Parte não. É o segredo todo: Manter-se em silêncio e, acima de tudo, jamais mencionar a sigla proibida: TPM. Ela diz que TPM não existe, que é uma mulher forte e não se deixaria abater por algo tão irracional como um jogo de hormônios. Deve ter lido isso numa dessas revistas que ela e a Marininha lêem como se fossem os Manuscritos do Mar Morto… Na manhã seguinte começaram os habituais resmungos sobre cabelo-peso-dotes culinários. O cabelo dela está como sempre foi. Ela diz que está acima do peso, mas não vejo diferença. E os dotes culinários… Os dotes culinários… É, às vezes ela tem razão.


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 24 Aug 2002, 22:30, em Blogs.
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