Psssst ! Silêncio !

De volta ao Rio, de volta à casa dOs The Dias, fui acordado 7 e meia da manhã por uma moto-serra. O departamento de Parques e Jardins está fazendo a poda anual das árvores (aquela que deixou meus pais sem telefone e NET por uma semana ano passado, já que os caras não estão nem aí se um cabo de um poste for cortado na brincadeira). Sete e meia parecia que tinha um motoqueiro dentro do meu quarto. Eu já disse que eram sete e meia da manhã, né?

Mais para provar um ponto de vista do que na esperança de resolver o problema e voltar a dormir liguei para o 190. O atendimento da polícia foi rápido e simpático.

— Bom dia… Outro dia eu dei uma festa e os vizinhos chamara a polícia [mentira, claro, eu moro no Canadá, mas uma metáfora de vez em quando é sempre bom]. Agora tem um pessoal dos Parques e Jardins aqui com uma moto-serra na frente da minha casa fazendo um barulho que não me deixa dormir, não existe Lei do Silêncio de manhã não?

— Senhor, não existe exatamente o que as pessoas chamam de Lei do Silêncio, o que existe é uma determinação do IBAMA sobre quantos decibéis são toleráveis em qualquer hora do dia ou da noite em zonas residenciais, seja música, cachorro latindo ou alguém assobiando. Se o cidadão se sente incomodado deve acionar a Polícia Militar e as partes devem ir à delegacia dar queixa. [pronto, essa confusão já está ficando complicada demais, lá vou eu para a delegacia]. Porém se quem está causando o distúrbio tem uma autorização oficial para realizar o serviço nada pode ser feito, ele está cumprindo uma tarefa para a prefeitura. No seu caso não há nada que nós possamos fazer.

— Er… então valeu, né?

— (com uma risadinha) Desculpe, não podemos fazer nada, tenha um bom dia.

É claro que eu não achei que fosse bater um carro da PM aqui mandando os caras pararem (aliás são 9:30 e o barulho parou, mas daqui a pouco volta, ontem eles ficaram o dia todo brincando de motoca aqui na frente). Eu só achei que ficar reclamando dentro de casa não ia adiantar nada. Acordar e blogar sobre o assunto também não, eu tinha que “oficializar” minha insatisfação com aquilo, da mesma maneira que meu pai ontem foi avisar ao chefe dos podadores que esse ano não queria fio de telefone cortado e minha tia pediu para tirarem o caminhão da frente da garagem. Nada mudou, o barulho continua, mas eu tentei melhorar as coisas, tentei mostrar que fui incomodado. Nada mudou, mas eu não fiquei sentado dizendo “isso é uma bagunça”. Freud explica?


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 16 Aug 2002, 07:28, em Brasil-sil-sil.

3 Comentários

  1. Lucia

    Valeu Cris. É isso aí. Se todos nós ao invés de calarmos, começarmos a mostrar que não temos somente deveres e obrigações, mas também direitos, quem sabe estaremos começando um Brasil-sil-sil menos injusto.

  2. Cris

    Freud? Reza pra Lacan! O genio de falar muito pra não acontecer nada! HAHAHHAHAH

  3. Heloisa

    No predio onde eu morava em Campinas, era assim:
    - chegar em casa `as 7 da noite e fazer um buraco na parede com a furadeira, nao podia;
    - instalar piso e martelar parede sabado `as 7 da manha, adivinha! podia…
    O predio era meio pre-fabricado, as paredes eram de concreto macico, entao uma martelada na parede do 1o. andar chegava la’ no 4o. andar que era uma beleza.
    Um abraco, e volta pro Canada logo, pra eu nao morrer de inveja.

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