A Soma de Todos os Medos
Titulozinho bem a calhar, não? Na época em que eu era estagiário na falecida Mesbla eu curtia um Tom Clancy básico mas quando A Soma de Todos os Medos saiu fiquei intimidado com o tamanho (mais de 1000 páginas) vindo de um escritor com um texto basicamente “lento”. Eu nem fazia idéia de que o livro é uma espécie “Episódio 1″ de Jack Ryan.
O filme é assustadoramente bom. Como o trailer faz o favor de nos contar que a bomba explode durante o filme não há nada o que esconder (o fato é praticamente o meio da história). Eu odeio esses trailers… Mas enfim… Me faz pensar que se o Osama Bin Laden tivesse acesso a uma bomba nuclear eu não estaria aqui teclando. Ou, na “melhor” das hipóteses todos os meus amigos nova-iorquinos que trabalham a duas estações do metrô do WTC, não estariam mais aqui.
Por isso (ou ainda assim) A Soma de Todos os Medos é um filme e tanto, com a soma de várias partes.
Antes de mais nada mostra um EUA longe de perfeito e um presidente mais imperfeito ainda. Ele está a todo momento preocupado em não se mostrar fraco, em responder à altura e é exatamente com isso com contam seus inimigos. Além disso Ben Affleck é o melhor Jack Ryan dos três que apareceram até agora. Talvez por não ter o ar esnobe de astro que Harrison Ford e Alec Baldwin levaram ao papel (”eu sou bom ator demais pra isso”), mas principalmente por esse ser o tipo de papel ideal para Affleck. Nada de romances titânicos nem dramas existensiais, é na ação blockbuster (ou nos filmes do Kevin Smith) onde ele consegue se sair melhor. Morgan Freeman é o coadjuvante ideal, o “homem que sabe tudo”. Fechando o elenco principal vem a namorada de Jack Ryan, interpretada por Bridget Moynahan. Jack Ryan quer casar com ela, mas quem não quer?
No fim das contas descobrimos que pelo menos no cinema as informações importantes acabam chegando nas mãos certas. No mundo real ainda não é bem assim.