A histeria do ‘anti-semitismo’ sem fim

Aparentemente o Maron não é o único sendo chamado por aí de anti-semita por discordar das ações do governo de Israel. O jornalista britânico Robert Fisk conta como até mesmo o ator John Malkovich declarou que gostaria de vê-lo morto por causa de suas declarações.

Since Ariel Sharon’s offensive in the West Bank, provoked by the Palestinians’ wicked suicide bombing, a new theme has emerged. Reporters who criticise Israel are to blame for inciting anti-Semites to burn synagogues. Thus it is not Israel’s brutality and occupation that provokes the sick and cruel people who attack Jewish institutions, synagogues and cemeteries. We journalists are to blame.

Almost anyone who criticises US or Israeli policy in the Middle East is now in this free-fire zone. My own colleague in Jerusalem, Phil Reeves, is one of them. So are two of the BBCs’ reporters in Israel, along with Suzanne Goldenberg of The Guardian. And take Jennifer Loewenstein, a human rights worker in Gaza – who is herself Jewish and who wrote a condemnation of those who claim that Palestinians are deliberately sacrificing their children. She swiftly received the following e-mail: “BITCH. I can smell you from afar. You are a bitch and you have Arab blood in you. Your mother is a fucking Arab. At least, for God’s sake, change your fucking name. Ben Aviram.”

Eu não tenho nada contra o povo judeu ou contra os habitantes de Israel. Meu problema é com as pessoas que usam a desgraça dos seus semelhantes para impor seu ponto de vista através da histeria.

“Mas vem cá, você não acha que…”

“Seu Hitler! É por causa de pessoas como você que meu pai penou em campos de concentração.”

Peralá… menos, menos. O que todos queremos é apenas a boa e velha liberdade de expressão. Só com ela podemos evitar que novos holocaustos ocorram. Só que quando alguém vira e diz “Israel está pegando pesado” ou “Agindo assim o Sharon está perdendo a moral” nós deveríamos ouvir argumentos contra ou a favor, mas o que se ouve na verdade são chingamentos, ameaças e pedidos de censura. Eu não estou dizendo que sou o dono da verdade, só estou querendo o direito de dizer o que penso.

Caramba, o Holocausto (com H maiúsculo) foi a coisa mais horrível que aconteceu no mundo no Século XX. Foi justamente quando um grupo de pessoas passou por cima da liberdade de outro grupo e fez o que bem queria, se colocando acima de qualquer crítica, do bem e do mal. O que me espanta é que justamente os descendentes destas vítimas agora usam essa desgraça como justificativa para qualquer ato, como se o Holocausto os tivesse dado um crédito ou alguma coisa assim.

Surgem nessa confusão toda uns conceitos muito errados como pensar que se eu discordo do Sharon eu, automaticamente, concordo com os homens-bomba. É claro que não. Mas fazer histeria, chamar de imbecil, feio, xixi e cocô parece ser a arma preferida. Cada vez que eu escrevo sobre este assunto recebo um e-mail argumentando meu ponto de vista e 10 dizendo “se você não sabe história cale a boca”. Antigamente o argumento era, inclusive, de que se eu não moro lá nem sou judeu ou árabe não deveria me meter, mas quando uma reação em cadeia (com outros fatores externos à Palestina) leva um bando de malucos a explodir dois prédios na cidade onde eu moro fica meio que provado de que todo mundo tem que se preocupar sim.

Quando eu era pequeno eu ouvi um papo de que no futuro o mundo seria melhor. É esse o tal mundo melhor, onde as pessoas são atacadas por suas opiniões?


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 14 May 2002, 11:39, em Coisas que me tiram do sério.
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