Yo no hablo, capisce brother?
Uma das coisas mais bobinhas que se fala por aí em entrevistas para cargos de programador-analista é a seguinte:
“Você sabe programar em ______?”
“Não, mas sabe como é… linguagem de programação é tudo igual, só mudam os comandos. Eu aprendo rápido, então logo logo vou estar programando em ______.”
Não se engane: eu mesmo já falei isso várias vezes em entrevistas e provavelmente vou continuar falando, dependendo do entrevistador. A maioria acredita. Só que dizer isso é como achar que um morador da Roma antiga — por falar latim — conseguiria conversar livremente no Brasil ou Espanha tendo na mão apenas um dicionário latim-português. Ele vai conseguir se fazer entender, mas vai estar na cara que ele não é dali. Além disso ele vai falar uma ou outra besteira de vez em quando.
Isso tudo por que as linguagens de programação também têm seus trejeitos e até uma gíria ou outra. Se a linguagem for orientada à objetos então nem se fala. Em português você pega o ônibus. Em alemão o ônibus é que pega você.
Quando eu saí do Brasil eu dizia que era “programador sênior” em Cold Fusion. Afinal de contas eu fiz sites inteiros usando CF, eu sabia todos os comandos. Mas depois que trabalhei com uns verdadeiros gurus do assunto aprendi o “sotaque” do CF, ou seja, como organizar as partes do código.
O resultado para mim foi o mesmo de qualquer pessoa que aprende de verdade a programar em uma determinada linguagem: “Caramba, assim é tão mais fácil!”