Blogjornalismo

O assunto da moda é dizer que os blogs estão revolucionando o jornalismo, blablabla. O mais recente artigo é da Wired online. O destaque vai para um parágrafo em especial, que fala sobre uma coisa que eu (e muita gente por aí…) anda reclamando do jornalismo atual.

The second thing blogs do is – to invoke Marx – seize the means of production. It’s hard to underestimate what a huge deal this is. For as long as journalism has existed, writers of whatever kind have had one route to readers: They needed an editor and a publisher. Even in the most benign scenario, this process subtly distorts journalism. You find yourself almost unconsciously writing to please a handful of people – the editors looking for a certain kind of story, the publishers seeking to push a particular venture, or the advertisers who influence the editors and owners. Blogging simply bypasses this ancient ritual.

Ou seja: algumas notícias não são “quentes” o suficiente para serem publicadas, por isso os jornalistas acabam “apimentando” (normalmente no título) para chamar a atenção. Nas editorias de informática você ainda pode adicionar o fato de que os jornalistas não entendem necessariamente do que estão falando e o resultado são manchetes quase sensacionalistas como “KaZaA traz cavalo-de-tróia na instalação”. O cara mal sabe o que é um cavalo-de-tróia, mal sabe o que é um programa de computação distribuída… o cara sabe escrever e sabe que tem que convencer o seu editor a publicar aquilo. Ora, eu mesmo sou um editorzinho e sei como isso funciona. No meu blog eu publico o que quiser, não estou preocupado em ter 1 milhão de page-views por mês para agradar meus investidores. Eu sou o investidor, o repórter, o editor, o censor…

Mas o lado mal disso (já falei uma vez aqui) é que os blogs são totalmente parciais e o que acaba acontecendo é que as pessoas só vão ler os blogs que pensem com elas. Isso pode gerar uma versão bem bitolada do mundo se um certo cuidado não for tomado.

Por isso eu acho que os blogs estão revolucionando o jornalismo não como substitutos dos jornais e sites de informação, mas como uma maneira de mostrar para eles como trafegar informação na era digital.