DVD mania
Novas adições à estante de DVD: A.I. — Inteligência Artificial e Os Simpsons.
Obviamente já mandei ver no DVD de “extras” de A.I., que é meio superficial (como todos os “extras” de DVDs têm sido ultimamente) uma grande propaganda do filme, mas ainda assim legal. (Por incrível que pareça um dos melhores DVD-2 que eu já vi é justamente o do Episódio I, por conta dos documentários não produzidos por George Lucas incluídos no disco)
Nos making-of do DVD é contada a história de como Kubrick vinha conversando com Spielberg sobre o filme desde os anos 80, por motivo meio óbvios: esse é o tipo de filme “Spielberg-ano”. Os fãs de Kubrick não vão gostar da parte onde se conta que o diretor falecido convidou Spielberg para dirigir o filme. “Eu produzo, você dirige.” Com o tempo Kubrick aceitou dirigir a história e com sua morte o filme voltou para Spielberg.
Apesar de eu ter achado A.I. um dos melhores filmes do ano passado muita gente ficou mais preocupada em dizer que aquele não era um filme “do padrão Kubrick” do que outra coisa. É como se Stanley Kubrick fosse o virtuoso da arte e Steven Spielberg fosse um diretor de quinta que faz filmes só atrás de dinheiro. Como se há 20 anos atrás ele não tivesse feito todo mundo comemorar uma cena no cinema como se fosse um gol em final de campeonato. Stanley Kubrick sabia disso e convidou Spielberg para contar a sua história.
O DVD não deixa claro se o terceiro ato (o “mundo gelado” — e aqueles carinhas são robôs, não aliens) foi invenção de Spielberg ou não, mas sinceramente isso não importa. O filme é o que é, sem Kubrick escrevendo ou dirigindo: uma grande história sobre os seres humanos, o amor que transferimos para coisas “inanimadas” e como rapidamente deixamos esta ligação para trás sob a justificativa de que o objeto do nosso afeto era, no fim das contas, uma “coisa”. O que vai acontecer no dia em que as “coisas” expressarem seus sentimentos para nós?
Agora deixa eu ir lá assistir Burrice Artificial, ops… Os Simpsons.
Cristiano,
Se vc ainda ñ viu, dê uma espiada no documentário sobre Kubrick, lançado com sua caixa de filmes. Vale a pena não só pelas belas fotografias, mas por que conta um pouco do projeto do AI. Abraço, Pablo.
Eu até quero ver, mas essa caixa é meio carinha…
Outro. De fato, o documentário sobre Kubrick deve trazer mais ou menos o que está no documentário sobre o AI. A história da produção, direção, etc. Tb alguns desenhos. Será isso?
Eu vi os extras em um screening da Warner na quinta passada e achei bacaninhas, mas, como é normal, são auto-indulgentes ao extremo. Tudo é inédito, de primeira, sensacional, único. Uau! Uau! Uau! Quanto ao terceiro ato (que, fora o visual, eu odiei), não está no conto original, pelo menos. Eu não sei, parece que o Spielberg não sabia como acabar o filme. O problema não foi o garoto ser encontrado 2000 anos depois, foi aquela obsessão infantil (do diretor) de dar à ele aquele dia especial. Outra coisa que o filme torna bem claro é que a interpretação do Bruno, embora inspirada e interessante, é só a interpretação do Bruno. Nas entrevistas, todos deixam claro que o salto de dois mil anos é literal, e não uma espécie de fantasia do menino, que finalmente se vira capaz de sonhar. Isso não desmerece o bom artigo e a interpretação do Bruno, claro, mas joga uma luz sobre a questão.
Eu vi o filme no cinema. Estou doido pra comprar um aparelho de DVD pra poder ver essas coisinhas. Do meu ponto de vista eu não achei que o final de Spielberg estragou todo o trabalho simplesmente porque vejo aquilo como um adicional. É tão óbvio que o filme acaba no fundo d’água…
Durante o filme (eu que já vi outros filmes de Kubrik) percebi várias coisas ali que eram o jeito dele, parecia mesmo que ele havia dirigido certas cenas.
Um detalhe: alguém já viu o filme Screamers baseado numa novela de Philip K. Dick.? Se não, vejam e prestem atenção ao ursinho Teddy. =)