Todos na mesma página

Ir à reuniões é uma coisa totalmente sacal, mas tem seu lado divertido. É engraçado, por exemplo, notar como toda reunião tem seu próprio dialeto. Aqui e nos EUA a expressão mais dita em reuniões — principalmente naquelas envolvendo gente de diferentes empresas — é disparado “to be in the same page” (”estar na mesma página”). Basicamente quer dizer que todo mundo entende o que está sendo dito/feito, que não há mais dúvidas. Mas niguém fala “então todo mundo entendeu, né?” talvez por que isso pode soar como “seu burrão”, então o pessoal fala “O importante nesta etapa é nos certificarmos de que todas as partes envolvidas estão na mesma página.”

Palavras como “etapa” e “certificar” também só são ditas em salas de reunião, é claro.

O curioso da reunião de hoje também foi como o cliente está satisfeito com o trabalho de pré-produção (requerimentos, diagramas e documentação em geral) que estamos fazendo. Eles ganham com a clareza de ver o que vai ser feito e saber que “estamos na mesma página” que eles enquanto nós ganhamos quando nos certificamos de que eles sabem o que querem.

Um dos grandes “dilemas” do desenvolvimento de sistemas é se deve se partir do princípio de que “o cliente sempre têm razão” ou que “o cliente não sabe o que quer, nós sabemos”. Fazer tudo o que o cliente quer é impossível, o projeto nunca vai terminar e a empresa quebra. Mas dizer que nós sabemos mais do que o cliente sobre o problema dele é loucura. O cliente sabe o que quer. O problema é que com o andar do projeto ele começa a ter mais idéias. Ele começa a vizualizar a coisa e quer adicionar isso e mudar aquilo. Nessa hora vale o paradigma: você tem em suas mãos tempo, custo e escopo. Você pode mudar dois, o que sobrar vai ser ajustado para refletir suas mudanças. Quer mais funcionalidade? Vai custar mais e vai demorar mais para fazer. Daí a importancia de um bom trabalho de especificação. O cliente se sente confortável em fazer perguntas e mudar coisas e você, o desenvolvedor, não fica maluco em ter que jogar fora um monte de trabalho.

Mas eu não contei o pulo do gato… Quem está fazendo a especificação é um consultor externo. Eu ou qualquer outro analista daqui da empresa poderíamos fazer o trabalho sem problemas, mas a questão é se teríamos tempo e tranquilidade de sentar e escrever um documento com dezenas de páginas e diagramas. Cliente ligando, projetos “para ontem”, treinamento, suporte interno… No meio disso tudo a especificação de sistemas acaba sendo vista pela “chefia” como supérfula e deixada de lado, mas o fato é que o cliente ficou tão impressionado com essa fase do trabalho que não só já está encomendando mais como está mostrando o trabalho para outros setores mostrando “como é que se faz”.


:: Escrito por Heloisa, dia 7 Mar 2002, 14:32, em Lerê... lerê....

Um comentário

  1. Luiz Carlos

    Gostei da sistemática. Parece que todos participando objetivamente, consultor -> cliente -> desenvolvedor-> cliente só pode trazer ganho para todos. E o resultado, com a satisfação do cliente, só pode ser mais e mais negócios. E não esqueça cliente satisfeito divulga o serviço para outros e provoca mais negócios. Boa!

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