Briga de cachorro grande
O chefão da Disney, Michael Eisner, disse no Congresso americano que a culpa da pirataria de música e vídeo na Internet é, em parte, da Apple, com sua campanha “rip, mix, burn”. Para Eisner os fabricantes de computadores vêem o “roubo” (nas palavras do próprio Eisner) de conteúdo online como uma killer application, uma maneira de atrair compradores.
A Disney está na berlinda do mundo dos direitos autorais desde que conseguiu, através de um forte lobby, estender o prazo para que uma peça artística seja colocada em Domínio Público, já que o Mickey cinquentão estava para entrar nesta categoria.
Eu nem me meto nessa briga, mas se as coisas continuarem assim o futuro da Internet vai ser bem parecido com aqueles filmes de ficção-científica: as coisas com qualidade só vão circular nos meios underground.
E por falar em Disney e capitalismo… ontem passou na ABC (emissora da Disney) o desenho Cinderela original. O que me deixa com cara de “inocência perdida” é pensar que ela não fez isso para agradar o público ou por considerar uma boa exibir o desenho. A exibição (dentro de um mini-evento batizado de “semana das princesas”) foi estratégicamente colocada para casar com o lançamento do video doméstico Cinderella II – Dreams Come True. A cada intervalo um grupo de crianças totalmente ensaiadas fingiam debater sobre como seria a vida de Cinderela depois do fim da história original, quando a apresentadora Kelly Ripa diz que “vamos poder saber tudo no novo vídeo que está sendo lançado!” Puxa! Que legal!
Não que eu ache que este tipo de tática seja novidade, é apenas como eu disse: acabou a (minha) inocência.