Depois querem que eu volte: Caixas…

Depois querem que eu volte: Caixas eletrônicos de Brasília poderão ficar fechados à noite

Os caixas eletrônicos de Brasília poderão permanecer fechados entre as 22h às 6h para evitar seqüestros relâmpago, um dos crimes mais praticados na capital brasileira.

É como a história de acabar com o celular pré-pago: vamos punir o cidadão correto que precisa de um caixa-eletrônico de madrugada para uma emergência ao invés de punir o criminoso.


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 19 Feb 2002, 16:24, em Uncategorized.

6 Comentários

  1. Helenice A.Dias

    As pessoas de tanta saudade de você pedem que você volte, mas esquecem a violência que existe por aqui. É o efeito da saudade que é grande. Acredito eu. Mas é uma pena que ao invés de prender os bandidos, tiram o caixa eletronico. Vende-se o sofá onde aconteceu o adultério mas não se espulsa a mulher que traiu. É isso aí!!!!

  2. Marcos Lavieri (Lavi)

    Não é bem assim. O apagão ficou 9 meses no ar e quem sentiu falta dos caixas entre 22 e 6 da manhã? Ninguém. Esse tipo de crime caiu mais de 60% nas grandes capitais durante o apagão. É um dos mais difíceis de prevenir, ainda mais por que ninguém denuncia na delegacia. Todo mundo reclama, mas polícia trabalha com dados, não são adivinhos. E talvez os caixas que ficam dentro de shoppings continuem abertos de madrugada, mas os que ficam na área de maior incidência de crimes poderão ser até fechados em definitivo.

  3. Ione

    Fugindo do ponto central da história, mas tratando de assuntos tangenciais.

    Essa história de às pessoas serem impostas restrições em nome da segurança, tem duas vias.

    A primeira parte do próprio poder público, com esse tipo de medida proposta pelos bancos (se aceita pelo Ministro da Justiça).

    A segunda, e na minha opinião, a pior, vem das próprias pessoas. São elas que procuram fugir para condomínios com seguranças, pagar escolas particulares e convênios médicos. As pessoas abandonaram os espírito combativo em algum ponto da história. Nesse sentido, eu admiro os argentinos e as suas panelas.

    Outra coisa que me vem perturbando esses dias é o clamor público por penas mais severas, pela retirada de direito dos réus. Já andam falando em retirar a possibilidade de o acusado de crime hediondo apelar em liberdade. Isso é o que se chama de direito penal simbólico. Na prática, não muda nada. O sujeito continua a praticar os mesmos tipos de crime, não importa qual seja a punição. E isso dá muito pano pra manga e provavelmente as pessoas vai atirar pedras em mim, porque eu defendo os direitos dos presos, logo, eu devo concordar com horrores como seqëstros. Mas vou me defender só se alguém me atacar, pra não fugir tanto ao assunto.

    Há uma série de medidas anteriores às leis penais que deveriam ser tomadas, mais simples, que diminuem as taxas de crimes. Por exemplo, muitos crimes podem ser evitados simplesmente por haver melhor iluminação pública.

    Fechar caixas eletrônicos para diminuir seqëstros relâmpagos é como dizer às pessoas que deixem de andar pelas ruas depois das 10 da noite, para que não haja perigo. É atacar o problema na sua manifestação mais superficial.

  4. Cristiano Dias

    Falou e disse, Ione. Uma coisa é fechar os caixas para economizar energia. Vários “aparelhos elétricos” foram desligados durante o racionamento.

    Hoje no caminho para o trabalho eu pensei exatamente isso que você falou: Fechar caixas eletrônicos para diminuir seqëstros relâmpagos é como dizer às pessoas que deixem de andar pelas ruas depois das 10 da noite, para que não haja perigo.

    Eu nunca vou me esquecer quando meu irmão (ainda moleque) teve o relógio roubado no ônibus e teve que ouvir de todo mundo: “Quem manda ser bobo de andar de relógio no ônibus.” O garoto é assaltado e ainda jogam a culpa em cima dele! Santa inversão de valores, homem-morcego!

    Sobre morar em condomínio fechado… eu conceitualmente concordava com você até o dia que me toquei que eu fiz muito pior do que ir morar em condomínio fechado: mudei de continente. :-( Mas isso meio que faz parte do instinto de sobrevivência do ser humano e também da total falta de confiança que o povo tem do governo. É como o Lavi falou… ninguém dá queixa por achar que a polícia não resolve e agora fica mais complicado ainda para a polícia resolver os crimes por que ninguém dá queixa.

    Eu só acho que fechar banco 24-horas para acabar com seqüestro-relâmpago é o equivalente a cortar o nariz fora para parar de espirrar.

  5. Alexandre

    Há duas maneiras de enfrentar um problema.

    1. Atacá-lo imediatamente com todas as forças e resolvê-lo é uma delas. Mas isso acontece quando você tem os recursos (e não é só dinheiro, é toda uma gama de ações econômicas e sociais) e o governo Brasileiro, honesto ou não, não tem esses recursos.

    2. A segunda possibilidade, é ser realista. Se eu não posso garantir sua segurança no lugar tal, depois da hora tal, não adianta eu tapar o sol com a peneira. Para garantir sua vida ou sua integridade física, o que vier primeiro, eu te aviso que falhei, que não fui capaz de proteger você e que você precisa tomar cuidado.

    Assim, eu te digo pra não atravessar a rua quando o sinal estiver verde pros carros, porque é perigoso. Atravesse no vermelho, que é mais garantido.

    No fim, é a conjunção de tudo o que vocês disseram aqui. O poder público não consegue nos proteger e nós não sabemos exigir essa proteção, não queremos ter trabalho. Então eles reconhecem tacitamente que são incompetentes e dizem pra nós: olha, não faça isso.

    O principal problema é que em um mundo perfeito, quando você é obrigado a seguir os princípios do item 2 (admitir sua incompetência e pedir que a pessoa não circule de noite) isso acontece concatenado com uma ação do Estado para ao menos tentar resolver o problema. Ou seja, o alerta é uma tentativa de ganhar tempo.

    No Brasil, e em todos os países nos quais as intituições não se dão ao respeito, isso não acontece estamos indefesos e não somos protegidos por quem deveria olhar pela nossa segurança. O Brasil é um mico.

  6. Ione

    Quando esse tipo de assunção de incompetência, ou de mera impossibilidade de resolver problemas tais como o da segurança, parte do próprio poder público, quando é ele que nos vem recomendar que fiquemos em casa, aí o assunto muda de figura.

    Uma coisa é que esse tipo de atitude seja tomada por cada um dos cidadãos que, obviamente, andam assustados com a chamada “onda” de violência (coloquei entre aspas porque não julgo que se trate de onda, mas de um fenômeno mais duradouro). Isso é até aceitável, apesar de eu me indignar com esse tipo de atitude, como já disse, porque é assim que a situação se perpetua.

    Outra coisa bem diferente é que esse tipo de recomendação e até mais que recomendação, mas de medidas tomadas para impedir que cidadãos ajam desta ou daquela forma, parta do poder público. Aí, estamos diante da institucionalização da incompetência ou da impossibilidade de resolver problemas.

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