Já fazem quase quinze anos desde que eu mergulhei no projeto mais ambicioso e complexo da minha vida. O desenvolvimento da filosofia e técnica do Kombato - a primeira arte de Combate Militar do pais.
Assim começa um texto de 37 páginas que eu recebi hoje por e-mail do Paulo, que de vez em quando deixa seus comentários por aqui. De cara, claro, pensei que não leria o texto até o fim. Eu explico:
Sabe aquelas pessoas totalmente diferentes de você? Pois é, o Paulo é disparado uma dessas pessoas da minha lista. Por exemplo, ele estuda artes marciais (daà toda a história do texto) desde que se entende por gente. Bom, quem me conhece só um pouquinho sabe que isso não tem nada a ver comigo. Mas o Paulo apesar de todas as suas maluquices tem a caracterÃstica que eu acho mais importante nas pessoas: transparência, sinceridade. Se ele não vai com a cara de alguém ele vai dizer, não tem essa de politicagem não, mas se ele gosta de você vai te tratar incrivelmente bem. É claro que por conta disso ele já andou quebrando a cara (er… literalmente) muitas vezes por aÃ, mas isto só dá mais valor ao seu caráter.
Mas o texto… 37 páginas… O Paulo foi meu instrutor de Krav-Magá (o site ainda tem o design da época que eu praticava KM, 4 ou 5 anos atrás) durante alguns anos na Ilha e depois de umas sacanagens inomináveis (coisa de ego) feitas pelo Mestre Kobi (o responsável pelo KM no Brasil) saiu e fundou sua própria “luta”, o Kombato. Eu nunca me interessei pelo Kombato e achei que o texto não ia durar 2 páginas na minha mão. Mas vamos lá… leia o texto pelo amigo… Força…
Só que ao começar a ler descobri que o texto era na verdade uma espécie de mini-biografia do Paulo. Lendo as tais 37 páginas fui tendo um resumo da vida dele, inclusive lembrando de projetos que fizemos juntos que eu nem lembrava mais.
No fim das 37 páginas eu fiquei feliz de ter recebido aquele texto. Ali estava a história de uma pessoa que tem o que poucos têm: o rumo da sua vida. O Paulo sabe o que fazer com a sua vida. Ele respira artes marciais desde os 5 anos de idade. Já trabalhou em escritório, já fui intérprete de editora, mas sabe sem qualquer sombra de dúvida que o seu destino (palavra gasta, mas que aqui cai bem) é ser “mestre” de artes marciais.
Cada um vai concordar ou discordar dos pontos da filosofia do Kombato, ou até mesmo do fato de devermos ou não praticar artes marciais. Mas não é esse o ponto. O ponto é encontrar pela frente uma pessoa realizada pessoal e profissionalmente. Ele sabe ainda tem muita água para passar debaixo da ponte, mas anda com a tranquilidade de que está no caminho certo.