Voltando ao iMac…Eu achei ele…

Voltando ao iMac…

Eu achei ele “a nível de design” realmente revolucionário (ou seja, estou entrando em contradição com o que escrevi hoje cedo, azar o meu). Quando o primeiro iMac foi lançado eu queria comprar um só para colocar em uma mesinha de canto da minha sala-de-estar super-chique que eu nunca tive. (durante meses minha sala-de-estar foi uma cadeira de camping, uma aerobed-dublê-de-sofá e uma TV, no chão, sem rack) Mas na hora de usar não gostei, ponto. Era lento, travava, não conseguia acessar os arquivos que eu precisava de forma correta e a porcaria do mouse só tinha um botão. É engraçado como os discípulos de Jobs adoram dizer que o Windows é bonitinho mas ordinário. Bom, pra mim o iMac também.

Vale dizer também que eu acho o Steve Jobs uma das maiores cabeças do mundo atual. O cara é realmente (alerta: chavão a 100 metros, reduza a velocidade) um visionário. Às vezes tão visionário que seus produtos são fracassos comerciais de tão à frente do tempo que são, incluindo o próprio Mac na lista. (O curioso é que a segunda coisa mais revolucionária saída dos laboratórios da Apple, o Newton, foi bolado pelo arqui-inimigo de Jobs, John Sculley.) Eu também acho que computador é um treco que ocupa um enorme espaço nas nossas mesas, mas a culpa não é só do monitor, é do teclado também. O novo iMac é lindo, tela plana de plasma é o sonho de consumo de qualquer um, o preço (nos EUA) é bom (mas você compra um Pentium IV na Dell por uns 1000 dólar, ou seja, quase a metade dos 1800 do iMac) mas o que o povo quer saber é no, fim das contas, em que ele facilita a sua vida.

A propaganda do iMac ano passado dizia tudo: “A dúvida é: você muda a sua decoração por causa da cor do iMac ou muda a cor do iMac por causa da decoração?” O iMac é o computador que tem cara de mobília, não é aquela coisa estranha no meio do cômodo, isso é o máximo.

Vai ver o que me irritou mesmo foi assistir ao webcast e ouvir o Jobs dizendo: “Vejam como é revolucionário!” Cara, quem tem que dizer se é revolucionário não é você, o pai da criança…


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 8 Jan 2002, 14:36, em Uncategorized.

Um comentário

  1. Alexandre Maron

    Bom, aí eu não me incomodo, não. O Jobs tem o direito de falar o que ele quiser sobre o produto que ele criou, isso não tem nada demais. Quem for bobo de cair no papo mole dele e, que nem um zumbi, acreditar, azar. Agora, pior é que nesses encontros tem uma pá de jornalista otário e babão que perde totalmente o senso crítico e fica repetindo, “revolucionário”, “revolucionário”, sem se dar ao trabalho de ver se é mesmo. O Jobs é muito esperto (aliás tem uma biografia dele muito bacana nas livrarias brasileiras que conta como foi a queda e a ressurreição dele, chama-se “A Segunda Vinda de Steve Jobs”, Ed. Globo, de Alan Deutschman) e sabe que não tem nada realmente fora do comum nas mãos, embora o no iMac seja uma máquina linda. Sua estratégia é tornar o lançamento um evento mesmo. Mas veja bem, o Cube saiu de linha porque era caro e apresentou dezenas de defeitos, e olha que era lindo também. Parece que os truques nem sempre funcionam. No fim das contas, ele consegue ser sempre assunto, afinal estamos aqui discutindo o último lançamento. A verdade é que eu queria muito que a Apple licenciasse o design para alguém produzir um PC igual com um precinho melhor. Se fosse assim, eu comprava. Mas aí a gente chega no âmago: o Mac já não é tão melhor assim (se é que é melhor mesmo…) e sua única saída é o design. A alma é a beleza e não o desempenho. Então tem alguma coisa errada com esse mercado deles, amigo…

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