Se eu estivesse retornando de outro…

Se eu estivesse retornando de outro planeta hoje e alguém me mostrasse essa foto eu ia dizer: “Que filme vagabundo é esse, hein? Aposto que é dos caras de Independence Day e Godzilla…”
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Procure, encontre ou
feche.

Se eu estivesse retornando de outro planeta hoje e alguém me mostrasse essa foto eu ia dizer: “Que filme vagabundo é esse, hein? Aposto que é dos caras de Independence Day e Godzilla…”
Em prol do capitalismo selvagem e do mercado ponto com estou botando banners ali do lado para tentar defender um dinheirinho. São produtos que eu acho legais e espero que vocês também.
Tem gente comentando o que eu falei de a riqueza/pobreza do mundo ser uma equação simples. OK, não é simples, deixa eu tentar me explicar um pouquinho melhor, mas ainda assim sem lá tanto sucesso…
No exemplo do Daniel, onde eu compro um carro por 10 e vendo anos depois por 6, meus 10 foram para a revendedora do carro. Os 6 de quem comprou o carro vieram pra mim. Os 4 foram depreciados e provavelmente mais de 4 foram gastos com a Shell, a Auto-Peças, o DETRAN, etc. Depreciação é um conceito meio complicado (pra mim) mas que de uma maneira ou de outra explica “para onde” vão os tais 4 de diferença. (Obs.: Este site é escrito por mim, um cara que não se acha o dono da verdade. Aqui eu apenas expresso minhas idéias e boto o galho dentro quando estou errado. Se falei besteira sobre depreciação soprem o apito que se encontra debaixo de suas cadeiras.)
O dinheiro do mundo é um sistema praticamente fechado, com a excessão de “coisas que desaparecem”, como o que houve ontem e descobertas de minas de ouro, por exemplo. Mas como o valor da riqueza mundial é na casa dos zilhões a quantidade de valor no mundo é quase sempre a mesma. Podemos simplificar dizendo que é a quantidade de ouro no mundo, já que ele é o lastro da maioria dos países. Alguns países usam o dólar como lastro, que por sua vez usa o ouro, então tudo acaba em ouro mesmo.
Eu sei que é simplificar muito, é um papo muuuuito longo, mas para que os americanos sejam prósperos tem gente morrendo de fome na África, isso tem. Para o povo da África, Timor, Ceará ser menos pobre o lucro de alguém tem que diminuir. E como esse país aqui concentra a maior parte do lucro do mundo…
A perguntinha básica é essa: para que serve a África em termos comerciais/industriais? Nada. Se uma nave alienígena retirasse a África do mapa a economia mundial nem ia sentir. Então é exatamente por isso que a África é tão pobre. Ela deu o que tinha que dar há uns 200 anos. Escravos, marfim, produtos agrícolas. Agora só serve para turismo. Isso, claro, na cabeça do capitalismo, na cabeça de um ser intangível que temos hoje pairando sobre nossas cabeças e controlando nossas vidas, um ser que também atende pelo nome de “Lei da Oferta e da Procura”. Essa lei é tão simples quanto a gravidade. Tudo que sobe tem que descer. Tudo que não tem procura no mercado empobrece. Tudo que tem muita procura enriquece.
PS: Alguém comentou por aí que meus textos são grandes. Mas quando eu tento ser mais curto sou mal entendido. Mas definitivamente ninguém gosta de weblog com texto grande, eu sei.
PS2: Na escola eu não aprendi a odiar os EUA. Eu aprendi a ver o mundo à minha volta e pensar. Posso não ter aprendido direito. Mas estou trocando e-mails com a pessoa que comentou sobre isso e chegamos à conclusão que concordamos em quase tudo.
PS3: Nada disso justifica matar dezenas de milhares de pessoas.
PS4, atualização: Me avisaram nos Comentários que o governo Nixon chutou o balde do lastro ouro e o dólar passou a ter a si mesmo como lastro. Vai entender. Eu não. Eu desisto. Se você quiser tentar entender o Charles Pilger mandou este link.
Eu queria agradecer mais uma vez a todo mundo que ligou, escreveu, ICQzou, mandou sinal de fumaça ou simplesmente pensou na gente aqui. É normalmente barra estar longe. É mais barra ainda estar longe numa hora dessas. Queria agradecer à Amanda e à Leila, nossas amigas americanas, que na hora do aperto lembraram da gente e vieram para cá. Foi bem mais fácil passar o dia com elas.
Não posso deixar de agradecer a cada uma das mais de 2000 pessoas que passaram por aqui ontem e continuam passando hoje. Este site foi linkado no BOL, no NO.com.br e em vários blogs amigos. O meu contador apaga a cada 100 visitas então não deu para pegar todo mundo que linkou, mas obrigado mesmo assim.
Estou preparando um mural com todos os e-mails enviados e, quem sabe, rola um site-memorial. Não que eu ache que alguém vá esquecer o dia de hoje, mas…
PS: Me disseram que a tal profecia do Nostradamus já foi usada como justificativa para outra guerra, então não vale usar de novo, OK?
Quando eu era pequeno, como todo bom irmão, eu brigava muito com meu irmão 5 anos mais novo. Aquela briga de cascudo e chave-de-braço.
Logo vinha minha mãe atrás da gente dando bronca e a maior sempre vinha para cima de mim. “Mas mãe! Ele que começou!”
“Não interessa, você é o mais velho e tem que dar o exemplo.”
Eu nunca entendi isso, mas agora vendo os EUA brigar com todos os paízes pequenininhos do mundo eu entendo.
Cadê a mãe dos EUA, hein?
Eu achei que minha geração tinha se livrado dessa.
Um dia perfeitamente lindo, nenhuma nuvem no céu. Saí na rua para procurar este jornal mas já tinha esgotado.

Todos os jornais estavam esgotados. É como se as pessoas precisassem de um documento comprovando o acontecido. Se a Folha Dirigida fosse vendida aqui teria esgotado.
A capa do NYTimes parece um cartaz de um filme vagabundo. “Blah! Explodirem as torres do World Trade Center… claaaro…”
Ontem fui acordado por volta de 9 horas pelo meu pai. “Tudo bem? Viu o que aconteceu?”
“Uhn? Não…”
“Dois aviões bateram no World Trade Center.”
Dois teco-tecos, claro. Acorda, coloca a cabeça no lugar. Um teco-teco bater no WTC ainda vai, é acidente. Mas dois? Liga a televisão logo.
Um baita dum buraco. Fogo. Caramba, meu cartão-postal favorito foi estuprado. Parece filme. Eu vou passar lá e vai ter um buracão nos dois prédios. Surreal. Parece cenário de papelão de Hollywood. Quem fez isso?
“E agora vamos repetir a gravação de quando o segundo avião se chocou com a torre WTC 1″.
Peralá… isso não é um teco-teco. Tem turbinas! É um jato! Um 727? Não dá pra ver, é só uma sombra. “Renata, corre aqui!”
Vou para a frente do computador, entrar em contato com todo mundo. O Caio berra pelo ICQ: “Caiu um prédio!”
Acorda Cristiano. Toma a pílula vermelha. Bem-vindo ao mundo real.
Após ficar mais de 12 horas da frente da TV e assistir o pronunciamento do Presidente Bush cheguei mais uma vez à conclusão de que o povo americano não sabe direito por que tudo isso está acontecendo. Não estou dizendo se toda essa disgraça de hoje foi justificada. Morte nunca é.
Mas vendo Mr. Bush falar com “seu povo” me mostrou – e minha opinião foi compartilhada pelas duas amigas americanas que estão aqui em casa meio que refugiadas – que a imagem que se tenta passar é que atentados terroristas são coisas de gente má que quer destruir os EUA, nas suas palavras: “o faixo mais brilhante da liberdade no mundo”
Em nenhum momento as TVs dizem que lugares como a Palestina, Iraque e até o Afeganistão do Bin Laden são em parte vítimas da política externa americana. Não mostram a influência direta e indireta que seu país tem nesses lugares e, o mais importante, não diz qual o “motivo” de Bin Laden e comparsas. Só se diz que ele considera “qualquer americano como um alvo válido”.
Na cabeça do povo americano médio o que existe lá fora são super-vilões maus, feios e bobos que querem acabar com os bonzinhos e justos. É difíl para essa gente (eu quase entendo eles) acreditar que um país com um padrão de vida tão alto possa patrocinar algumas desgraças no mundo. É difícil para essa gente entender que para que a sua prosperidade exista é necessário que alguém passe fome em outro lado do mundo, numa simples eqüação matemática. Da mesma maneira o povo médio brasileiro não entende que sua própria política externa e suas indústrias causam coisas como a crise na Argentina, que depois volta para assombrar o próprio país. As pessoas aqui não entendem que os palestinos e iraquianos “comemorando” nas ruas só querem dizer: “Agora vocês estão sentindo o que a gente sente todo dia.” O dinheiro americano financia Israel e outros Estados opressores pelo mundo, assim como financiou a Ditadura brasileira.
Para o povo americano Osama Bin Laden é apenas um Lex Luthor mal e inescrupuloso querendo matar o Super-Homem 100% puro e bom.
Toda essa ignorância justifica matar dezenas de milhares de pessoas que, como bem já disseram por aí, tiveram como único crime chegar na hora em seus empregos? Não, claro que não. O objetivo deste artigo não é justificar as ações de terroristas. É mostrar que a tal guerra está muito longe de acabar, porque um dos lados nem sabe direito por que ela está acontecendo.
PS: Pô, galera… mó errão de digitação e ninguém me falou nada.
Agora eu saí no Yahoo! com um baita dum “(sic)” hehehe…
A guerra é eminente por que o que aconteceu hoje foi um ato público demais que mexeu com os nervos de toda a população. Paira no ar um clamor por justiça e a justiça american style vem sempre no cano de um revólver.
…por que a imprensa brasileira tem mais informações. PORQUE JORNALISTA É TUDO IDIOTA e jornalista brasileiro, por estar de longe, aparentemente é mais idiota ainda. Acredita e publica tudo que vê para “chegar na frente” e “furar”. Aliás, jornalista ganha bônus por furo.
Qualquer pessoa com metade de um cérebro pára e vê que essa história de a Microsoft lançar um update no Flight Simulator que não tem as torres do WTC só pode ser mentira. Mas as antas do Globonews, iG e UOL publicam mesmo assim. A mesma coisa o fato de o atentado ter sido feito por um grupo japonês chamado SUMU: SUSHI MURDERERES. E as antas publicam. E, pior, tem gente que acredita. Afinal de contas estava na Internet.
Eu tenho a impressão de que a imprensa brasileira está mais por dentro, ou pelo menos dando mais informações do que o pessoal aqui. Tem coisas que eu estou sabendo mais pela Internet BR do que pela TV.
Fomos no hospital aqui do lado doar sangue e fomos informados que os bancos de sangue locais estão lotados, todo mundo está doando. Todo mundo.
Isso me deixa mais feliz no meio de tanta merda. Eu tenho certeza que a mesma coisa aconteceria no Brasil.
Tirada daqui do condomínio. Não parece NYC. Falta alguma coisa.
