Análise: Bush caminha para uma armadilha

Via Fladurante nos chega o link sobre um ótimo artigo escrito, claro, por alguém bem longe dos EUA.

Há 19 anos começou o maior ato de terrorismo da história moderna do Oriente Médio. No dia 16 de setembro de 1982, os aliados paramilitares de Israel começaram três dias de orgia, estupros, esfaqueamentos e assassinatos nos campos de refugiados palestinos de Sabra e Chatila, matando 1.800 pessoas. O fato aconteceu logo após a invasão israelense do Líbano para expulsar a OLP do país, com o aval do secretário de Estado americano, Alexander Haig, e custou 17.500 vidas libanesas e palestinas, quase todas civis. Provavelmente três vezes o número de vítimas do World Trade Center. Mas eu não me lembro de nenhum discurso comovente sobre a democracia ou a liberdade.

(…)

Essa tentativa de censurar as realidades da guerra deve ser combatida. Vejam a lógica. O secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, insistia na sexta-feira que sua mensagem ao Taleban é simples: eles têm de assumir a responsabilidade por abrigar Bin Laden. “Vocês não podem separar suas atividades das atividades dos perpetradores do crime”, avisou ele. Mas os americanos se recusam a associar sua própria reação aos acontecimentos com as suas atividades no Oriente Médio.

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:: Escrito por Cristiano Dias, dia 17 Sep 2001, 14:43, em Uncategorized.

2 Comentários

  1. scarlett

    Os seus posts de “americano nao sabe disso, americano nao se da’ conta daquilo” so fomentam um anti-americanismo feroz que nao tem muito a ver com o que esta’ passando na mente de muitos americanos. Embora o governo e a prensa estejam tomando uma linha dura, o povo, a quem voce da’ tao pouco credito, nao esta’ acompanhando esta posicao como voce e muitos outros estao retratando. Estamos cientes de que alguma medida seria deve ser tomada, mesmo porque deixar este ataque sem resposta alguma provocaria um open season de terrorismo no mundo inteiro. Mas sao poucos, mesmo no governo, que bradam por vinganca a qualquer custo. As vozes criticas estao se deixando ouvir em tudo quanto e’ lugar. Por favor veja e ponha este link no seu site: http://www.opendemocracy.net. Informe os seus leitores, colegas, e amigos de que as reacoes perante o ataque terrorista, mesmo na area de “ground zero,” estao longe de serem unanimes. Veja especialmente este post de Todd Gitlin, aonde ele diz “There’s more than one America”:
    If and when military power lashes out in the days to come, Washington will claim that all Americans agree on what the government is doing. But there are an awful lot of Americans like Dean who feel spasms of anger and vengefulness and have not succumbed to them. Those who plan indiscriminate war may well roll over such doubts and dissent. But they are here. They have not been stampeded. They are the heartland. These patriots are not going away.

    There’s more than one America. During the painful days ahead, let our allies and critics remember that we are not all mad bombers, racist or authoritarian bullies – far from it. The White House may claim that the American public demands all-out war, but there’s little sign of that. Even in high places in Washington there are counsels of restraint and focus – starting, it seems, with Colin Powell. Don’t understand America too quickly. Don’t box us in.

    http://www.opendemocracy.net/forum/document_details.asp?CatID=95&DocID=655&DebateID=109
    Muito obrigada.

  2. Alexandre Maron

    Eu estou no Brasil e não sei o quanto a Scarlett nem o Cris estão certos ou errados, mas estou inclinado a concordar em parte com a Scarlett. É claro que os extremos chamam mais atenção. É mais fácil saber que um brasileiro foi espancado nos Estados Unidos porque acharam que ele era árabe (versão dele, claro) do que imaginar que a maioria dos americanos não pensa assim. Mas passeando pela Internet deu pra ver nos últimos dias que vão surgindo diversos textos com opiniões divergentes a respeito dessa situação. Eu só não sei se essa retaliação vai mesmo adiantar para evitar futuros atentados. Acho que não. A reação enérgica dos americanos só vai aumentar o sentimento anti-americano no Oriente Médio. Claro que o governo americano tem que fazer alguma coisa, mas não acho que a coisa a fazer seja essa esperada invasão do Afeganistão, com um genocídio se aproximando.

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