Texto Interessante 2 - Folha de São Paulo
Mídia filtra tragédia e poupa Bush
Contaminadas pelo patriotismo, TVs maquiam destruição e relevam falhas do governo
O mesmo clima patriótico e de união nacional que brotou nos EUA depois do atentado terrorista da última terça-feira parece guiar o tratamento dado por jornais e por redes de TV norte-americanas ao presidente George W. Bush e às autoridades incumbidas da segurança nacional.
Desde os ataques ao World Trade Center, em Nova York, e ao Pentágono, em Washington, a prioridade dos meios de comunicação tem sido a de “curar” feridas emocionais causadas pelo desastre na população.
Redes de TV maquiam deliberadamente os efeitos da destruição e expurgam imagens de cadáveres mutilados e de suicídios.
se há a “maquiagem”, isso não deixa de ser bom, por um lado: o ódio a palestinos fermenta menos se os americanos sentirem menos dor. acho que a maquiagem tem a ver com uma certa psicologia de avestruz: como alguém que é abusado e nega ter sofrido qualquer tipo de mágoa, apenas para manter sua integridade mental.
Essa autonomia e manipulação dos meios de comunicação é de eras passadas. Por isso que eles pararam de passar aquelas pessoas pulando do prédio. Acho que no momento essa manipulação está correta, mas nem sempre é assim. Que venham mais amadores, para mostrar com suas câmeras cenas reais e nao produzidas.
Olha, A Juliana levantou um ponto importante. Não ajuda em nada os caras ficarem mostrando gente pulando de prédio e aos pedaços. Mas a imprensa americana, como qualquer imprensa do mundo, tem que ficar atenta aos passos do Bush, a qualquer sombra de manipulação de provas nas investigações do FBI e informa seus leitores e espectadores a respeito do que está acontecendo em seu país. Ao contrário disso, é muito comum os executivos que controlam essas empresas apoiarem o governo, porque com uma guerra a audiência da TV e as vendas dos jornais e revistas aumentam. Só que a guerra precisa ter um escopo limitado para não afetar pesadamente os mercados e manter as economias funcionando. Ou seja, uma guerra ao estilo da Guerra do Golfo. Se isso será possível, se os americanos não se verão afogados em pequenos atentatdos em suas escolas, bares, prédios e pontes, só o futuro vai dizer.
A guerra precisa ter um escopo limitado porque a maior parte da receita das revistas, jornais e TVs vem de anúncios. Se as economias entrarem em uma situação de estagnação, a guerra não será um bom negócio.