O futuro

Às vezes paro e penso que a tristeza que estou sentindo não é pelas vidas perdidas, pela cidade deformada ou pelo medo de que alguém querido podia estar morto por causa deste ataque terrorista.

A tristeza vem do fato de saber que o mundo nunca mais será o mesmo. Outros atentados já ocorreram mas o mundo acabou seguindo seu rumo. Não desta vez.

Os EUA são geograficamente privilegiados em termos militares. Só fazem fronteira com dois países e grandes oceanos os separam de potenciais inimigos. O povo americano não sabe o que é a guerra em seu próprio território. Talvez por isso não consiga pensar em resposta sem sangue. A programação das TVs mudou, dando cobertura total aos acontecimentos. Até o Cartoon Network deixou de passar desenhos na terça-feira para mostrar o ocorrido. Foram mais de 24 horas sem intervalos comerciais. Toda noite os seriados e filmes são substituídos pelos “Cid Moreiras” americanos, que normalmente são jogados para um horário não-tão-nobre, por volta das 5 da tarde.

É tudo isso que me deixa triste. É olhar para o passado e ver a “ficha” desse país que me dá medo do futuro.

Há 60 anos no passado Pearl Harbor, uma base militar (portanto um mais do que provável alvo militar) foi atacada de surpresa e 2400 americanos morreram. Terça-feira a frase mais dita era “o maior ataque desde Pearl Harbor”. Mas os últimos números falam em mais de 4000 pessoas desaparecidas.

Há 56 anos no passado os EUA responderam ao ataque de Pearl Harbor jogando duas bombas atômicas sobre duas cidades japonesas. 240 mil japoneses, tão inocentes quanto os trabalhadores do WTC morreram.

Vem aí o futuro.


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 13 Sep 2001, 21:59, em Uncategorized.
© 2000-2008 Cristiano Dias. Alguns direitos reservados. Só alguns, não se preocupe.
Based on a tbeseda & 5ThirtyOne design. doismidela primeraza
RSS