Pé na estrada

Depois de muito segredo e suspense é hora de cair na estrada. Amanhã estamos nos mudando para Winnipeg, Canadá, onde vou botar de pernas para o ar uma empresa de desenvolvimento de ferramentas para web, o Mars Hill Group.

Eu até agora não tinha falado nada sobre isso por aqui por que, sinceramente, até o último instante não sabia se estava disposto a me mudar para lá ou não. Só demos a martelada final na mudança umas 2 semanas atrás, no fim-de-semana anterior aO Atendado.

Lá minha vida vai ser mais calma, mais organizada mas principalmente mais barata e mais fria. :) Este weblog deve sofrer algumas mudanças, principalmente por não ser mais um “weblog de um cara que mora em NY”. De repente eu apelo para algum clichê e mudo o nome para “O CrisDias que entrou numa fria… literalmente!”

Vou ficar uns 3 dias na estrada e mais uns dias sem contato com o mundo virtual, mas vai ser legal, a paisagem promete ser interessante. Obivamente estou levando a camerazita que tanto tem ajudado a ilustrar esta página.

Outra coisa que vai causar uma certa mudança neste site é o lançamento do secretíssimo “projeto paparelo do CrisDias e AlexMaron”, o Idearo, o Site Para Quem Sabe Que Não Sabe de Tudo. Lá todo mundo vai poder dizer o que acha e o que não acha sobre a vida, com um sistema de comentários mais poderoso do que este aqui. Quero saber o que vocês acham da idéia.

Enfim, essa virada do mês é uma mudança e tanto na minha vida, com certeza para melhor por que é para frente que se anda.

Nos vemos em 1 semana, no Canadá.

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25 Sep 2001, 18 comentários.
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O tamanho do estrago

A CNN fez um trabalho muito legal criando um detalhado mapa 3D da área do WTC, mostrando quais prédios ainda correm risco de cair e quais inspiram outros tipos de cuidados.

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23 Sep 2001, 3 comentários.
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Campanha inteligente da Toyota

Vá no Yahoo! Maps e pesquise como ir de um endereço a outro nos EUA. O resultado virá acompanhado de uma mensagem mais ou menos assim: “Você economizaria $__.__ se estivesse digirindo o novo Toyota Prius, clique aqui e compare.”

Como assim? Economizar?

O que está do outro lado é de longe mais sensacional do que o anúncio. É um carro híbrido, que funciona com motor elétrico e um motor a gasolina. O melhor de dois mundos. A baixas velocidades o motor elétrico funciona, fazendo com que você não polua o ar nem gere barulho. Se precisar de mais força, para uma arrancada ou uma ladeira, o motor a combustão dá uma forcinha. Se estiver na estrada, em alta velocidade, o motor elétrico desliga e seu carro passa a ser “como todos os outros”, botando os cilindros para trabalhar. Se estiver em um engarrafamento o motor a combustão desliga e você economiza uma grana no anda-e-pára. Se você freia ou desce uma ladeira o motor elétrico faz um “freio motor” que recarrega as baterias.

Não existe lugar melhor para anunciar esse carro e a maneira escolhida também foi nota dez, não se limitando a colocar um banner como outro qualquer que seria automaticamente ignorado por nossos cérebros já acostumados a ignorar banners. Parabéns Toyota e Yahoo!.

(mais sobre carros híbridos aqui)

23 Sep 2001, 2 comentários.
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Campanha engraçadinha da Disney/Pixar



23 Sep 2001, Nenhum comentário.
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2 Train

A primeira vez que entramos no 2 Train equipado com os novos vagões comprados pelo Governo de NY a nossa cara – e a de todo mundo – foi de espanto.

Ao invés do amarelo/creme/laranja pálido era tudo branco, tão branco que parecia que estávamos em um “trem celestial”, tudo limpinho. Uma voz pré-gravada anunciava cada estação, assim como o tradicional “stand clear of the closing doors”. Um mapinha da linha mostrava em que estação você estava e um painel eletrônico mostrava a hora e outras informações. Um espanto.

Pouco depois o placar fica doido, a voz pré-gravada anuncia que estávamos lá na primeira estação da linha mas todo mundo olha com uma cara meio de satisfeito. Aquele ainda era, nem que um pouquinho, o bom e velho 2 Train capenguinha de NYC.

23 Sep 2001, 4 comentários.
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Hoje fomos no shopping e no meio…

Hoje fomos no shopping e no meio do passeio a eletricidade das lojas começou a falhar e algumas luzes de emergência movidas a bateria começaram a funcionar. Fato corriqueiro em qualquer shopping center do mundo, mas nos Estados Unidos pós-11-de-Setembro o medo ficou estampado na cara de todo mundo e as pessoas começaram a andar apressadamente para a saída, meio que querendo disfarçar o fato de estarem apavoradas. Mesmo depois que vimos que não era nada demais o dia já estava arruinado e resolvemos sair.

É isso que significa o “terror” em “terrorismo”.

Na hora do jantar o papo foi, foi, foi e bateu nO Assunto. Nossa amiga Amanda contou que uma tia que mora no interior de Indiana teve um interessante pensamento filosófico: “Acabou a adolescência dos EUA. Sabe quando a gente é adolescente e faz um monte de besteiras, porque acha que é invencível e imortal? Quando a adolescência acaba a gente fica com aquele sentimento de que não aproveitou direito simplesmente por que não tinha se tocado que era para aproveitar? É esse sentimento que todo mundo está tendo agora, meio ‘o sonho acabou’ ou ‘chegou a hora de ser gente grande e assumir suas responsabilidades’. A Europa, o continente adulto vira para nós e fala hey kiddo, pega leve por que o buraco é mais embaixo.”

Titia sabe tudo !

22 Sep 2001, 2 comentários.
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Atualização

O Multishow (das Organizações Plim-Plim) transmite a maratona americana ao vivo. Mais informações no Blue Bus.

20 Sep 2001, 1 comentário.
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Maratona de Estrelas

An unprecedented coalition of the four broadcast networks and some of Hollywood’s biggest names is putting together a telethon called America: A Tribute to Heroes to benefit victims of the Sept. 11 terrorist attacks.

The two-hour telethon will air commercial-free on Friday, Sept. 21, at 9 p.m. ET on ABC, CBS, NBC and Fox, according to Variety. UPN and WB are also expected to air the event.

Aí eu vou ser obrigado a parar tudo e falar: isso jamais aconteceria no Brasil. Todo mundo, a esta altura do campeonato, já deve estar me dando uma faixa “Eu odeio os EUA” por causa das coisas que venho escrevendo aqui. Só que quando chega a hora de discutir como as TVs americanas se comportam e relação às suas concorrentes não dá para comparar, o Brasil ainda tem muito o que aprender. Podemos resumir tudo em duas palavras. Plim-plim.

Claro que quando você detém mais de 50% do mercado de TV de um país do tamanho do Brasil você começa a achar que tem direito a ignorar que existem outros canais. Pronto, ganhei mais uma faixa “Eu odeio a Rede Globo”. Já posso virar professor secundarista?

Não é isso, eu não necessariamente amo ou odeio a Rede Globo. Eu acho até que ela é, hoje em dia, um dos canais que mais apóia a produção nacional. Os únicos canais a cabo nacionais que prestam são os das Organizações Globo. Fazem programas nacionais mesmo, não ficam só repassando programas americanos.

OK, mas eu estou começando a fugir do assunto… O fato é que a Globo ignora a existência de outros canais. A única vez que vi esta regra quebrada foi no seqüestro do Silvio Santos. Afinal de contas, gente, era o Silvio Santos! Se fosse o Gugu… hmmm… sei não…

A coisa funciona assim: se um esporte não é transmitido pela Globo, ele não aparece no Jornal Nacional. Emerson Fittipaldi foi campeão da Fórmula Mundial? E daí? O Oscar passou no SBT? Que Oscar? A Seleção de Vôlei está jogando em um campeonato transmitido pela Bandeirantes? Esquece.

Estrelas globais não podem ir em programas de outras emissoras enquanto estão sob contrato. Aí é só inventar um programa de TV com os principais astros sertanejos e pronto, não podem ir nas concorrentes. Aplique a mesma fórmula a pagodeiros, Sandy & Júnior e quaisquer outros que despontem.

Acabei de ler que o SBT vai organizar um Teleton em benefício à APAE. Alguma estrela Plim-plim vai estar lá? É ruim, hein?

Enquanto isso nos EUA todas as emissoras firmaram um acordo de compartilhar quaisquer imagens e informações sobre os atentados terroristas. Programas da NBC no estilo “Video Show” falam sobre o lançamento de séries em outros canais, entrevistando seus astros. Atores de todos os canais vão ao “Tonight Show” e “Late Show” e falam abertamente sobre seus programas. No Brasil a coisa mais legal de o Jô ter ido para a Globo é que agora dava para entrevistar um monte de gente que ele nunca pôde antes.

Os motivos, claro, não são simplesmente por que os donos de TVs aqui são bonzinhos. O mercado aqui é diferente não só em termos de divisão do bolo como também é afetado pelo “fator syndication“, onde a sua série de hoje pode estar no canal do concorrente amanhã, nem que sejam reprises.

Eu ainda tenho esperanças de que os outros canais continuem conquistando mais e mais espaço, fazendo com que a Globo mude um pouco sua postura. Só que com o nível da programação brasileira… xiiii…

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20 Sep 2001, 8 comentários.
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Não vamos descer ao nível deles…

Artigo publicado ontem no The Boston Globe, levanta para os leitores alguns pontos importantes. Taí um texto de seriedade vindo de dentro dos EUA. Estão começando a aparecer vários assim, com a poeira abaixando. Ponto para os americanos. Recomendo a leitura, mas aqui vão alguns trechos:

Civilian lives were the first casualties of this war. Civil liberties should not be the next.

it is worth remembering that what distinguishes the United States from its enemies is the rule of law, not its cowboy culture.

The following day, agents from the Federal Bureau of Investigation led Boston Police and Immigration and Naturalization Service officers with automatic weapons on a raid of the Westin Copley Place Hotel. A national television audience watched as the bomb squad arrived, as the hotel and the Boston Public Library were evacuated.

The targets of the raid? Three Saudi nationals, in town to visit a hospitalized relative. The reason the young man and two young women in their 20s were allegedly hit, kicked, handcuffed, and interrogated at gunpoint by federal agents without counsel for five hours? A credit card receipt with a name similar, but not identical, to one of the hijackers.

Representative Barbara J. Lee of California, the lone member to dissent from granting such broad war-making powers to the president, has had her patriotism questioned. Have her critics never heard of the Gulf of Tonkin resolution, the Johnson administrations duplicitous justification for the escalation of the Vietnam War?

Jonathan Shapiro, the Boston lawyer who represents the Saudi family, has had to field threatening telephone calls for championing the civil liberties of innocent people. Have his callers never heard of the internment camps where the United States confined Japanese Americans after the attack on Pearl Harbor?

E aqui vale uma pausa. Eu nunca tinha houvido falar nos tais campos de concentração para japoneses na Segunda Guerra até algum tempo atrás. OK, eu posso ter dormido nessa aula de história, mas francamente isso não é o tipo de coisa para ser mencionado assim, como quem não quer nada, num currículo escolar. O que se aprende na escola (ou se aprendia) sobre a participação americana na Segunda Guerra é simples: eles não iam entrar, o Japão atacou Pearl Harbor, eles entraram e ganharam a guerra sozinhos, inventando o Dia D. Ah sim, e jogaram a bomba atômica em cima de duas cidades japonesas. Os outros países foram coadjuvantes e a Rússia foi só uma distração para Hitler.

É claro que os campos de concentração japoneses eram “apenas” prisões, enquanto os judeus eram até mesmo cobaias de “experiências científicas” dos médicos nazistas. Mas um campo de concentração tem uma coisa em comum: você vai parar lá não pelo que fez, mas pelo que é. Enquanto as TVs, os filmes e os livros estão toda hora nos lembrando dos terrores dos campos judeus a mesma indústria rapidinho esquece seu próprio rabo sujo.

Conhece aquele papo de que a guerra é escrita pelos vencedores?

Atualização: o leitor Ricardo colocou um comentário importante demais para ser deixado lá na caixinha de comentários, lembrando um fato muito importante que eu deixei passar. O Japão fez atrocidades com o povo da China e Coréia de deixar Menguele de cabelo em pé, torturou e matou sem dó nem piedade. Mas isso, nunca é demais dizer, não justifica jogar a Bomba A na cabeça de 240.000 mil civis.

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20 Sep 2001, 4 comentários.
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Para acobertar a presepada que os…

Para acobertar a presepada que os serviços de “inteligência” se meteram ao serem pegos tão de surpresa quanto todos nós nos atentados de uma semana atrás o governo americano resolveu diminuir os direitos dos imigrantes. Afinal de contas assim não precisa reconhecer que errou e que os tais $15 bilhões não serviam para nada.

20 Sep 2001, Nenhum comentário.
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Vem cá… isso também não é um tipo de terrorismo não?

Os EUA ameaçam retaliar com sanções econômicas os países que não aderirem à “guerra mundial contra o terrorismo”. “Comercializamos com todos os países do mundo”, disse ontem o secretário de Comércio, Donald Evans. “Se eles não quiserem cooperar e não quiserem ficar do nosso lado, há medidas que podemos tomar, como sanções e outras barreiras aos nossos mercados.”

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20 Sep 2001, 1 comentário.
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Tratado do Rio

Está rolando por aí o tal papo sobre o Tratado do Rio, que diz que um ataque contra um dos países signatários deve ser considerado como um ataque a todos os demais e que por isso o Brasil seria obrigado a entrar numa guerra dos EUA.

Então me permito um momento de risada para copiar um texto publicado na Folha Online:

O último a invocar o Tiar foi a Argentina, em 1982, quando o Reino Unido enviou sua frota ao Atlântico Sul para recuperar as Ilhas Malvinas, capturadas pelos militares argentinos. Os países signatários do Tiar não adotaram ação conjunta e os EUA colocaram-se ao lado dos britânicos.

20 Sep 2001, 1 comentário.
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Chega a ser engraçado como agora…

Chega a ser engraçado como agora o governo americano quer aproveitar e colocar o Saddam no pacote da guerra. Ontem a capa do New York Daily News estampava a foto do bigodudo e, em um quadradinho no canto, a foto de um dos prováveis sequestradores.

Com um governo basicamente formado por ex-generais da Tempestade no Deserto é meio óbvio que eles tentem a todo custo curar sua frustração de nunca ter conseguido tirar Saddam do trono do Iraque.

20 Sep 2001, 3 comentários.
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Hoje eu dei uma andada pela cidade…

Hoje eu dei uma andada pela cidade e tirei esta foto de dentro do ônibus.

Ali tinha um prédio. Dois. Era um templo, um símbolo de não-sei-o-que. (do capitalismo?) Agora só há uma nuvem de fumaça. De longe parece qualquer cidade. Aquelas duas caixas gigantes eram como um nariz da cara de Nova Iorque. Sem elas a gente olha e não reconhece.

Além disso fiquei sabendo que o namorado de uma colega de trabalho está “desaparecido”. Era o ingrediente que faltava para fechar o círculo do pânico: alguma pessoa (mesmo que remotamente) ligada a mim está envolvida. As vítimas agora têm uma cara, um nome, um endereço, uma história.

Andar pela cidade foi estranho. Não sei se eram as pessoas deprimidas ou eu. Ou todo mundo. Bandeiras americanas por todos os lados, muitas nesta fachada da Toys’R'Us, na foto abaixo, em construção no Times Square. Ao lado o telão da ABC mostrava ao vivo o Prefeito (e que prefeito) dando mais uma coletiva com dois telões em volta tremulando listras vermelhas e brancas.

Uma mensagem é clara: o povo americano não quer esquecer o que aconteceu e não quer deixar ninguém esquecer. Isso é triste, mas é bonito. O povo está unido em torno de seu país. Empresas estão colocando anúncios pedindo que as pessoas não comprem seus produtos, mas que usem o dinheiro para ajudar o Fundo 11 de Setembro. 55 milhões já foram doados por cidadãos e ninguém ousa se aproveitar da situação para se dar bem.

Os motivos por trás do ataque podem não ser conhecidos do povo e podem haver divergências quanto a que atitude deve ser tomada pelo governo, mas todos estão abraçados em torno da “América” a pátria de todos e a única chance de uma vida em paz para muitos que vieram de longe. Seu país é tudo e ninguém tem vergonha de mostrar isso ou chorar por ele.

E nem é ano de Copa do Mundo…

18 Sep 2001, 6 comentários.
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E para relaxar…

a galera do charges.com.br

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18 Sep 2001, 1 comentário.
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