A.I.: Artificial Intelligence

Eis a questão: se fizermos um robô capaz de amar um ser humano, conseguirão os seres humanos amar este robô?

Steven Spielberg está de volta. O bom e velho Steve. Ou melhor… o bom e velho junto com o Academy Award Winner Steven. O criador de fábulas escapistas de mãos dadas com o homem amadurecido, o Peter Pan que cresceu e viu que o mundo não é a Terra do Nunca, mas sabe que isso não faz com que ele deixe de ser Peter Pan. Que descobriu que nem tudo é perfeito, mas que ainda acredita que todos nós somos feitos de sonhos. Mesmo que nós sejamos robôs ou alienígenas cabeçudos com luz na ponta do dedo.

A.I. é daqueles filmes que mexem com você. Afinal de contas ninguém faz isso melhor do que Steven Spielberg. Até quando ele faz filmes totalmente comerciais como Jurassic Park ou Tubarão ele te pega. “Até hoje, quando vou à praia, penso duas vezes antes de entrar na água” – mandou o taxista brasileiro que nos trouxe para casa depois do filme.

Assistir A.I. é sair do nosso corpo e ver o mundo através de vários olhos diferentes. É ver que um robô é muito mais gente do que muitos por aí. Ver que muita coisa ali não é necessariamente ficção. Ver que cada um não pode deixar o mundo vencer. No que você acredita deve estar acima de tudo.

Depois deste filme passo a ser contra a criação de robôs. Não é pelos robôs, que eu ache que eles vão destruir o mundo ou nos substituir. É pelas pessoas. Nós não estamos preparados para eles. Se não conseguimos nem mesmo amar ao próximo, estamos preparados para retribuir o amor de algo criado por nós?


:: Escrito por Cristiano Dias, dia 2 Jul 2001, 15:09, em Uncategorized.
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