A Secret History : The Book of Ash 1
“Romance histórico”: uma história de ficção que se mantém fiel à realidade, ou seja: uma história passada na idade média sem dragões, magia ou fadas. Até agora a história parece, no mínimo, curiosa. O livro é construído como se um PhD em história achasse documentos perdidos sobre uma espécie de Joana D’Arc, chamada Cinza (Ash). Os tais documentos traziam escrito “A cinza me criou”, daí a conclusão de que eram uma espécie de auto-biografia perdida. Como até então muito pouco se conhecia (neste mundo fictício porém realista) sobre Ash o livro logo vira uma sensação editorial, mas alguma coisa acontece no seu lançamento em 2001 que faz a editora recolher todas as edições existentes. O livro A Secret History : The Book of Ash 1 seria, então, uma tentativa de alguém que leu o volume original de recontar a história.
Depois de mais um mês de pausa acabei de ler O Apanhador no Campo de Centeio. O livro é realmente “incomentável”. Me fez pensar em várias coisas sobre a vida, principalmente no fato de que quase todo mundo pensa que o mundo está errado e ninguém faz muita coisa para mudar. É claro que nem todo mundo acha que o mundo deve mudar na mesma direção, mas algumas coisas básicas como a falsidade continuam por aí como males necessários.
Num momento em que ando repensando minha carreira e o rumo que dei para minha vida bate aquela vontade de ser um apanhador no campo de centeio. De ter uma vida menos ligada no dinheiro e mais ligada nas pessoas e nas idéias. É engraçado olhar em volta, ver como existem pessoas no mundo que têm o dinheiro como prioridade número um e aí me tocar que eu, afinal de contas, deixei minha família e meus amigos para trás e vim parar em outro país atrás, basicamente, por causa de dinheiro. Obviamente eu arrumei algumas desculpas básicas como reconhecimento e crescimento profissional, segurança pública, não ter que viver um apagão, mas no fundo, na ponta do lápis, foram os cifrõezinhos nos olhos que me trouxeram para cá. Daí é um pulinho para lembrar de todos os famosos “ideais da juventude” e ver tudo ir por água abaixo quando se tem que pensar em pagar as contas no fim do mês e em poder comprar brinquedinhos de vez em quando.
Como eu sempre fui uma pessoa que quis tudo para o dia seguinte resolvi, desta vez, sentar um pouco e esperar. Deixar a correnteza me levar um pouco e ver no que dá. Sem me acomodar, olhando em volta, mas sem querer uma solução para amanhã. Me preparar, tomar impulso e pular quando alguma coisa na margem parecer interessante o suficiente.
Meu diagnóstico? Crise dos 30 com dois anos de antecedência.
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