Filmes do fim-de-semana 2: A Praia…
Filmes do fim-de-semana 2: A Praia
“Filme do Leonardo DiCaprio? Xiiiiiiiii… vou passar longe…”
Foi isso o que pensei ao ver os trailers de A Praia. Passei batido e não quis nem saber.
Até que um dia, no verão (americano) de 2000, achei o livro A Praia, de Alex Garland, numa prateleira do apartamento que estava alugando. Era uma edição antiga, ainda sem a foto do Leo na capa e dizia “breve um filme da Fox”.
“Ah… então o filme é baseado em um livro de sucesso… ok, deixa eu ver…”
Comecei a ler o livro e simplesmente não consegui mais parar. A história de um filhinho-de-papai que, sem ter o que fazer, viaja pelo mundo em busca de “emoções” me prendeu a cada segundo do trem que me levava da rua 116 ao SOHO. Eu nem pegava o trem expresso, onde teria que ir em pé e não poderia ler o livro. Ia sentadinho, levando quase meia hora no translado, mas quem se importava? As aventuras de Richard e Daffy eram totalmente cativantes.
Terminei o livro rapidamente (em termos de um livro em inglês) e fiquei curioso de ver o filme. Quando foi lançado em vídeo acabei não alugando e ontem vi na estréia da HBO. (por ser da Fox, no Brasil o filme será exibido no Telecine)
Tudo o que posso dizer é: eu nunca vi um filme mudar tanto um livro… Eu já cansei de ver filmes baseados em livros, já estou acostumado com certas coisas. Por exemplo, alguns personagens sempre são eliminados e “fundem-se” com outros. Isso acontece em A Praia mas este não é o problema. O filme começa bem fiel ao livro, mas vai se distanciando aos pouquinhos até terminar totalmente diferente.
Coisas de Hollywood, senão vejamos (e eu vou estragar algumas coisas do livro ou do filme para quem não leu, mas nada demais). O personagem principal, Richard, passa o livro todo apaixonado pela francesa Françoise. Mas fica nisso, paixão platônica. Porque ela deveria largar seu namorado Étienne para ficar com o chato inglês Richard? Várias situações do livro se desenrolam em cima disso, criando uma história mais legal.
Mas quando ele se transforma no americano Richard DiCaprio ele se torna irresistível e lá pela metade do filme Françoise (interpretada pela bela Virginie Ledoyen) não resiste e resolve dar uns pegas no noivo da Gisele Bundchen. A doideira não para por aí, o namorado francês dá uma de corno manso e declara “se é para ela ser feliz e se feliz é com você eu saio do caminho”. Vergonha para os franceses, no mínimo.
Acabou? Não, mas eu não vou contar mais… O diretor, Danny Boyle, de filmes como Cova Rasa, Trainspotting e Por uma vida menos ordinária tinha tudo para fazer um filme digno do livro, com seu clima doidão e crítico à sociedade. Mas ao invés disso me ensinou porque não devemos ver filmes baseados em livros. Por causa de uma coisa chamada leitura da obra. Ao ler um livro, cada um vê uma coisa, tem uma opinião, um ponto de vista, sobre o que é a história. Quando passa-se essa história para a tela, tudo tem que ser contado em 90 minutos, já há uma trilha sonora escolhida e o diretor te passa a visão dele. Se você dá a sorte de ver um filme onde o autor original também faz o roteiro, sorte sua. Mas Boyle dá sua visão própria do livro (ou pior ainda, a visão dos produtores). Isso fica evidente nos créditos finais do filme quando a HBO exibe um mini “making of”.
Segundo Boyle (e DiCaprio), o filme é sobre “os sacrifícios que se deve fazer para se manter seu paraíso particular”.
Mas hein?
Já Alex Garland (na minha opinião meio se graça na frente da câmera) diz exatamente o que eu achei: o filme é sobre a “backpack culture” (expressão dele), gente sem objetivos na vida que fica viajando o mundo em busca de emoções, mas que acaba tornando lugares como Índia e Tailândia meros playgrounds da cultura ocidental.
Mais que isso, o livro é sobre a Geração X, uma geração que ganhou o mundo de mão beijada, sem crises, sem guerras, sem recessão e sem inimigos. Como toda geração, acha que o mundo é um saco e que tudo deve mudar. Mas mudar o que, se o mundo está em “paz”, se todo mundo tem emprego e se até itens sociais estão tendo mais atenção do que nos últimos 5000 anos? É duro ser rebelde nos anos 90, então a solução é viajar pelo mundo atrás de “viagens espirituais” que são, no fim das contas, grandes festas cheias de bebidas e drogas do outro lado do planeta, onde a polícia é mais corrupta.
Richard, como bom Gen-X-er, não é herói e nunca vai ser. Tudo o que ele quer é tirar o seu da reta e parecer um cara legal na frente dos amigos. Ele não vai para A Praia sozinho, ele tem que levar alguém com ele, para poder compartilhar a aventura. Suas referências culturais não são poetas ou pintores, mas sim Super Mario Bros. e M.A.S.H.
O Richard do filme não chega a ser o garotinho perfeito, mas por ser Leonardo DiCaprio e por ser americano, tem que salvar o dia, ficar com a mocinha e, no final do filme, nos ensinar uma importante lição sobre a vida.
Esqueça o filme, vá até a livraria mais próxima e compre o livro.
Ainda bem q nao vi no
cinema…achei meio chato o filme…e definitivamente nao vou querer ir nunca na
Thailandia. Depois de do filme da Claire Danes e desse to fora…qta sujeira e
feira livre…sem falar nas bocadas.
1. Em relação ao
comentário inicial sobre o Leonardo Di Caprio. Discordo. Acho ele bom ator, com
um currículo de filmes bacana.
Aí, fez um arrasa quarteirão chamado
“Titanic” e virou uma mania mundial. Segurou a onda e procurou projetos
interessantes, instigantes. Nem sempre dá certo.
Outro que, apesar de toda a
banca, eu tenho que admirar é o Brad Pitt. Acho ele um ator limitado, mas pelo
menos faz opções interessantes, desafiadoras.
2. Quanto a Renata não querer
conhecer a Tailândia por causa do que viu nos filmes… Bem, Salvador é um dos
maiores chiqueiros que eu já vi. Aliás, a Bahia, terra de meu pai e de meus
avós, é um lugar onde todas as grandes cidades são uma imundície só, por conta
da tirania de coronéis (o mais famoso deles, inclusive, também está ligado à
minha família, já que se casou com uma Maron).
Mas, pô, a Rê preferia Miami a
Nova York!!! Aí é dose, né, meu fio??!!!