E viva o São Caetano! Mesmo antes…
Mesmo antes do resultado da final do Campeonato Brasileiro (ops… Copa João Havelange? Ah, sei lá!) já temos um vencedor: o São Caetano e o pequeno torcedor. Chega a ser triste que o campeonato chegou a mudar de nome para que times como o São Caetano não chegassem onde o Azulão conseguiu. E viva o Gama! A parada vai ser dura, o Vasco entra em campo com os maiores craques do futebol Brasileiro: Romário e Eurico Miranda.
Quem me conhece sabe que uma das coisas que eu mais abomino é gente que fica dizendo como os EUA são melhores que o Brasil. Mas em termos de esporte não há contra o que resistir. Aqui nos EUA o pensamento é a longo/médio prazo (coisa muito difícil para cartola brasileiro). Veja se o presidente do Comitê Olímpico Americano (seja lá qual for o nome… o Nuzman americano) vai ficar propondo mudança no critério de colocação dos Jogos Olímpicos? (veja nota abaixo) Claro que não, porque não importa como se conte os EUA vão vencer.
Mas no futebol o raciocínio é assim: “Olha, vamos montar um campeonato com os nossos times. Incluindo o Fluminense, claro! Dane-se esse esquema de divisões, o que importa é quem tem torcida grande [dinheiro]. Para não chamarem a gente de malvado, a gente faz um módulo separado para os timinhos, com uma vaga contra nossos timões. Depois de eles jogarem 540 partidas durante a temporada, não há como atrapalharem.”
Só que está aí o São Caetano, jogando na final contra o time que mais simboliza o cartolismo do futebol: Clube de Regatas Eurico Miranda. O time que tentou vencer o Cruzeiro na semi-final usando o tapetão.
O que falta aos digníssimos dirigentes do futebol brasileiro é a simples visão de que times como o São Caetano trazem mais torcedores para o cenário. Ou você acha que o simples fato de colocar o Fluminense (ou o Bahia, por exemplo) de volta na primeira divisão garante mais renda do que aquele time da sua cidade, cheio de desconhecidos, arrebentando os times chamados de primeira linha?
Vamos a um exemplo prático de como as coisas funcionam no esporte americano: assim como acontece todos os anos, em 1984 um time colocado entre os sete piores da temporada da NBA foi sorteado para ser o primeiro a escolher entre os jogadores universitários quem faria parte de seu time. Para a sorte do povo de Chicago, seu time era tão ruim que recebeu a graça de escolher um neguinho chamado Michael Jordan para seu time. O resto é história.
Enquanto isso, no Brasil… esporte universitário não existe. Aqui nos EUA todo jogador tem diploma. Claro, não estou dizendo que são imortais da Academia de Letras, nem que eles não são favorecidos em suas escolas pelo fato de serem super-atletas. Mas não é esse o ponto. O ponto é que Ronaldinho jogava no São Cristóvão, que não pode fazer outra coisa senão vendê-lo para o Cruzeiro. (Cheguei a comentar que aqui não se vende atleta? Fiquei até envergonhado um dia quando falei isso para uns amigos do trabalho e eles rindo, disseram: “Vende? hehehe…”) O Cruzeiro chegou a aproveitar um pouco o potencial de Ronaldo, mas logo teve que vendê-lo para o PSV.
Rivaldo? A mesma coisa. Cadê o Santa Cruz no cenário do futebol?
No melhor estilo rádio-relógio: você sabia?.. Que na NFL, liga de futebol americano, a renda das arquibancadas é dividida igualmente entre todos os times da liga? Que os times fazem dinheiro nos camarotes, praças de alimentação e merchandising? Enquanto isso no Brasil cada time briga para construir seu próprio estádio, para poder desviar dinheiro da bilheteria e fazer a festa.
Então que nesta quarta-feira os deuses do futebol estejam do lado do São Caetano. Mais pelo futebol em si do que pelo time.
PS: Se a Globo tem alguma influência no resultado dos jogos vai dar São Caetano na cabeça. Quer coisa mais novelesca do que isso? É audiência na certa! Até quem nunca assistiu uma partida de futebol vai querer ver o bem vencer o mal!